Assunto mais que batido e onipresente em qualquer roda de conversa sobre inovação e empreendedorismo no mundo, a inteligência artificial consolidou-se como o principal vetor de transformação económica e tecnológica da presente década global. E quando falamos no cenário corporativo e industrial brasileiro, o debate institucional migra (ou pelo menos deveria migrar) rapidamente da viabilidade teórica dos modelos generativos para a sua aplicação prática em larga escala.

No entanto, uma análise rápida para este viés aponta para uma encruzilhada crítica: o ritmo de evolução dos algoritmos e softwares de IA avança em progressão exponencial, enquanto a infraestrutura física indispensável para suportar tais tecnologias — composta por redes de telecomunicações de altíssima velocidade, centros de processamento de dados e fornecimento estável de energia — expande-se em ritmo linear e geograficamente concentrado.

Embora este seja o foco desta análise, vale voltar um pouco na história para revisitar a primeira grande onda da transformação digital, que fundamentou-se na descentralização da informação e na conectividade pura, operando primordialmente sobre o modelo de software como serviço (SaaS), onde o tráfego de dados e os requisitos computacionais eram previsíveis e acomodáveis pelas redes legadas.