As empresas do setor de tecnologia enxergam no Brasil um grande mercado de tráfego de dados, o que justifica investimentos e a necessidade de robustos centros de processamento (data centers). Com o advento da Inteligência Artificial, o Brasil —este gigante mercado consumidor da internet, dos memes às blusinhas da Shein— também será um dos protagonistas. Isso significa que as empresas acreditam que certamente vão ganhar bastante dinheiro no Brasil. Mas pagar impostos? Ah, isso elas não querem.

Há meses passa em Brasília uma novela chamada Redata. É um programa que prevê desconto no imposto a empresas que instalarem data centers no país. A atividade é intensiva em capital e em recursos naturais —usa bastante energia—, mas não emprega quase ninguém. Os investidores creem que merecem uma benesse estatal para desenvolver isso.

O Redata ainda não existe porque o Congresso não o referendou a tempo (era uma medida provisória). Agora, lobistas estão em campo para convencer os deputados de que o setor é merecedor.

Por esses data centers passarão dados das IAs recém-criadas e das nascentes, inclusive os roubados de produtores culturais e jornalistas cuja criação é disseminada por chatbots que cobram assinatura. Aguardem que, assim que ficarmos todos viciados na conversinha do robô, o serviço ficará caro.