Para Rodrigo Durán, país avança nessa área tecnológica, uma das oportunidades para a América Latina, tendo ainda o trunfo de vasta oferta de energia, diz o executivo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Durán, do Cenia, aponta que o Brasil está em posição priviliegiada para avançar em inteligência artificial na América Latina — Foto: Lucas Tavares / Agência O GLOBO RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 19:41 Brasil Impulsiona IA com Estratégia Ambiciosa e Parcerias Chave Rodrigo Durán, gerente-geral do Cenia, destaca a estratégia ambiciosa do Brasil em computação para IA, aproveitando a oferta energética do país. A América Latina, embora acelerando na adoção de IA, enfrenta desafios em investimentos e infraestrutura. Durán aponta a necessidade de parcerias público-privadas e a valorização de dados locais como caminhos para superar barreiras e aumentar a produtividade regional. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A América Latina acelerou a adoção da inteligência artificial (IA) nos últimos anos, mas ainda enfrenta obstáculos importantes para transformar essa tecnologia em desenvolvimento econômico. A avaliação é de Rodrigo Durán, gerente-geral do Centro Nacional de Inteligência Artificial do Chile (Cenia), instituição responsável pelo LatamGPT — um dos poucos modelos fundacionais de IA desenvolvidos na região — e pelo Índice Latino-Americano de Inteligência Artificial (Ilia), elaborado em parceria com a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). Na edição mais recente do levantamento, Chile, Brasil e Uruguai aparecem como os países mais preparados da região para avançar nessa área. Segundo Durán, o principal desafio da América Latina deixou de ser a preparação para a IA e passou a ser sua adoção efetiva nos setores público e privado. Em entrevista ao GLOBO durante o Web Summit Rio, ele afirmou que a região corre o risco de permanecer dependente de tecnologias desenvolvidas em outros países se não ampliar investimentos, capacidade computacional e acesso a dados. O último relatório do Ilia mostrou que a América Latina avança na adoção da IA, mas ainda enfrenta deficiências em infraestrutura, investimento e mão de obra qualificada. Qual é o principal gargalo da região? Se considerarmos a região como um todo, acho que a principal preocupação diz respeito ao investimento. Em 2024, os investimentos globais em IA no setor privado ficaram em torno de US$ 280 bilhões, enquanto na América Latina e no Caribe chegaram a US$ 2,4 bilhões. Portanto, menos de 1% do investimento global chega à região. Mesmo assim, temos 6,4% do PIB mundial e cerca de 17% da participação global no mercado de aplicações pagas de IA. Há dois gargalos associados a isso. O primeiro é a falta de capacidade computacional. Desenvolver soluções baseadas em IA na América Latina é mais caro porque não há infraestrutura suficiente. O segundo não é exatamente a falta de talentos, mas a falta de incentivos. Os investimentos continuam concentrados principalmente nos Estados Unidos, na China e em alguns polos específicos, como Coreia do Sul, Israel e França. Não estamos fazendo o suficiente, nem regional nem nacionalmente, para tornar a América Latina mais atrativa para esses investimentos. Há outros gargalos? Sim. O segundo grande gargalo são os dados. Houve avanços importantes na governança de dados em praticamente todos os países da região, mas a disponibilidade desses dados continua sendo um desafio. Precisamos de mais conjuntos de dados acessíveis para pesquisa e desenvolvimento de soluções. Isso passa por questões culturais, porque não temos uma tradição forte de coleta e organização de dados, tanto no setor público quanto no privado. E passa pela regulação. A maior parte da América Latina seguiu modelos inspirados no GDPR (Regulamento Geral de Proteção de Dados) europeu para proteção de dados. Embora essas regras sejam importantes, podem dificultar o desenvolvimento de aplicações mais sofisticadas de inteligência artificial. A falta de incentivos para gerar e compartilhar dados acaba se tornando um obstáculo para o avanço da IA na região. E onde o senhor vê as maiores oportunidades nesse cenário? A primeira oportunidade é a computação. O Brasil está construindo uma estratégia muito ambiciosa nessa área. Quando observamos a cadeia de valor da IA, uma das poucas vantagens competitivas claras que temos é a energia. Os países desenvolvidos enfrentam um desafio crescente para atender à demanda energética dos data centers e dos chamados hiperescaladores de IA. Nos Estados Unidos, por exemplo, essas empresas já competem com hospitais por contratos de fornecimento de energia de longo prazo. Brasil, Paraguai e Chile possuem vantagens nesse campo graças à disponibilidade de energia hidrelétrica e solar. É aí que vejo uma das maiores oportunidades para a região. A segunda está na adoção. As diferenças entre o Norte Global e o Sul Global em áreas avançadas de engenharia são enormes e caras de reduzir. Mas isso não acontece da mesma forma quando falamos em alfabetização em IA e uso da tecnologia para aumentar produtividade. Temos evidências de que não existe uma diferença significativa entre treinar pessoas no Norte ou no Sul Global para usar IA em tarefas do dia a dia. Isso cria uma oportunidade enorme para qualificar nossa força de trabalho e ampliar ganhos de produtividade. Como a América Latina pode capturar uma parcela maior do valor econômico gerado pela IA? O primeiro passo é atrair investimentos para ampliar a capacidade computacional. Mas é importante que os marcos regulatórios garantam que parte dessa infraestrutura beneficie os próprios países onde ela é instalada. Nenhum país latino-americano, com exceção do Brasil, possui hoje condições de construir sozinho uma infraestrutura competitiva para IA em escala global. Por isso, parcerias público-privadas podem ser um caminho interessante. Elas permitem atrair investimentos para data centers e capacidade computacional, ao mesmo tempo em que reservam parte desses recursos para startups, universidades e projetos de interesse público. O segundo ponto é a produtividade. Muitos países da região enfrentam problemas históricos de qualificação da força de trabalho. Nesse aspecto, a IA pode funcionar como um equalizador. As pessoas que começam com menos conhecimento tendem a obter ganhos proporcionais maiores ao utilizar IA, porque passam a acessar informações e capacidades que antes não estavam disponíveis para elas. Se conseguirmos democratizar esse acesso, a tecnologia pode se tornar uma ferramenta importante para reduzir desigualdades e ampliar a produtividade da economia. O LatamGPT é um dos poucos modelos fundacionais desenvolvidos na América Latina. Que lacunas deixadas pelo ChatGPT, Claude ou Gemini ele pode sanar? Quando comparamos o LatamGPT com modelos equivalentes de código aberto, observamos uma diferença importante de desempenho em temas relacionados à América Latina e ao Caribe. Os grandes modelos globais tendem a apresentar mais alucinações e imprecisões quando o assunto envolve a região do que quando tratam de EUA, Europa ou China. O LatamGPT foi treinado para compreender melhor os contextos culturais, políticos, econômicos e sociais latino-americanos. Isso resulta em respostas mais precisas sobre a região. Há também uma segunda vantagem. Muitas aplicações em educação, serviços públicos ou produtividade não precisam utilizar os modelos mais avançados e caros do mercado. Elas podem funcionar localmente, consumindo menos recursos computacionais. O LatamGPT permite justamente isso: desenvolver aplicações específicas para a realidade regional com custos menores. A cobertura do Web Summit Rio 2026 na Editora Globo é apresentada pelo Itaú. (Thayz Guimarães, especial para OGLOBO)
Computação para IA: ‘Brasil está construindo estratégia ambiciosa’, diz gerente-geral do chileno Cenia
Para Rodrigo Durán, país avança nessa área tecnológica, uma das oportunidades para a América Latina, tendo ainda o trunfo de vasta oferta de energia, diz o executivo










