No Web Summit Rio, executivos que lideram empresas que vendem chips e modelos de IA para outras empresas defendem foco em resolver desafios do negócio e ganho de eficiência Nelson Leoni, CEO da WideLabs, e Márcio Aguiar, diretor de vendas enterprise da Nvidia para a América Latina, em painel no Web Summit Rio, — Foto: Lucas Tavares RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/06/2026 - 14:11 Web Summit Rio: Especialistas Alertam para Riscos de Investir em IA sem Estratégia Clara Especialistas no Web Summit Rio alertaram sobre os riscos de investir em inteligência artificial (IA) sem estratégia. Nelson Leoni, da WideLabs, e Márcio Aguiar, da Nvidia, destacaram que, apesar da pressão para adotar IA, o foco deve ser resolver desafios específicos do negócio e melhorar a eficiência. Investimentos sem uma estratégia clara podem desperdiçar recursos. É essencial alinhar a implementação da IA com as necessidades e metas da empresa, considerando também a soberania dos dados. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A popularização dos modelos de inteligência artificial (IA) generativa aumentou a pressão sobre empresas para demonstrar avanços no uso da tecnologia, mas o risco de investir sem uma estratégia clara é tão grande quanto o de ficar para trás. Essa é a avaliação de Nelson Leoni, CEO da WideLabs, uma empresa brasileira de IA, e Márcio Aguiar, diretor de vendas enterprise da Nvidia para a América Latina, que debateram o tema em painel no Web Summit Rio, evento de tecnologia no Riocentro. Para os executivos que lideram negócios de hardware e softwares de IA, o consenso é de que as organizações devem adotar essas ferramentas pautadas nos desafios que o negócio enfrenta e nas métricas de retorno. A ideia é que esse caminho evite projetos caros demais e de baixo impacto. — Muitos estão na pressão de adotar a tecnologia e querem logo o melhor. Eu diria a todos: muita calma nessa hora. A IA está só começando. Esqueça acelerar e entrar nesse vagão agora. O trem está passando e continuará passando. Não se trata de quem adota mais rapidamente. É preciso entender o que o seu negócio precisa — diz Aguiar, da Nvidia. Leoni ressalta que não precisam se tornar "expert" em IA, como o receio em ficar de fora da última tendência faz parecer. Os gargalos já enfrentados pelo negócio, que variam conforme setor e porte das companhias, devem continuar sendo o alvo para pensar soluções. — A chance de sair implementando IA sem estratégia e queimar dinheiro é grande — conta ele, ao comentar o resultado que a empresa tem obtido ao ofertar modelos de IA para o setor público. — Na medida em que a empresa vai tendo resultado, ela vai escalando. O foco deve ser eficiência e redução de custos, onde o ROI (retorno sobre investimento) é mais interessante. No setor público, onde temos clientes e essa matemática ainda não é tão comum, já geramos retorno com esse ganho de eficiência. E como saber quando um investimento em IA vale o custo? A métrica pode variar bastante. Sem citar nomes, Aguiar cita o exemplo de um banco brasileiro que procurou a Nvidia para ajudar a solucionar um custo jurídico de R$ 4 bilhões anuais devido a falta de tempo para leitura de todos os processos movidos contra a empresa. — Nós escaneamos todos os processos e eles investiram US$ 200 mil para um problema de R$ 4 bilhões. É caro ou barato? Depende. Para uma empresa que está começando, é caro. Tudo depende da demanda computacional. Se o seu problema te custa US$ 30 mil dólares, investir US$ 4 mil pode valer a pena — explica, ao citar que nem sempre é preciso gastar com a compra da solução. — Empresas de nuvem podem oferecer o aluguel da GPU e cobrar cerca de US$ 10 dólares a hora. Soberania importa A decisão de implementar IA nas operações de uma organização também envolve lidar com questões de soberania dos dados, uma vez que os modelos utilizam informações estratégias das empresas, lembra Leoni. — Além do negócio, é preciso pensar na estratégia. Onde aquela informação vai "rodar"? Vai ser via modelo próprio (de infraestrutura)? Vai consumir uma API ou não? — questiona. O executivo da WideLabs lembra de casos no Judiciário em que um funcionário do setor público pode estar carregando um processo judicial no ChatGPT, da OpenAI, enquanto sequer compartilha a informação com a equipe. — Temos que deixar de ter menos ingenuidade e mais estratégia do que estamos fazendo. Não é desconfiar de tudo, mas é ter clareza do que tá fazendo na empresa e as consequência do que está fazendo, para o bem ou para o mal — conclui. A cobertura do Web Summit Rio 2026 na Editora Globo é apresentada pelo Itaú.