No Web Summit 2026, especialistas apontam oportunidades para a região, mas apontam obstáculos para seu avanço 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Nick Robins, do jornal britânico The Guardian, conversa com Alexey Milovidov, cofundador e diretor de Operações ClickHouse, e Rodrigo Durán, gerente geral do Cenia, no palco principal do Web Summit 2026 — Foto: Shauna Clinton/Divulgação/Web Summit via Sportsfile RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 11/06/2026 - 11:55 América Latina busca protagonismo em IA, mas enfrenta desafios estruturais A América Latina enxerga oportunidades na inteligência artificial, mas enfrenta desafios para acompanhar potências como EUA e China, conforme discutido no Web Summit Rio 2026. Especialistas destacam a importância de iniciativas como o Latam-GPT para desenvolver conhecimento local, mas alertam sobre a necessidade de investimentos em infraestrutura e educação. A região tem potencial devido à sua população jovem, mas precisa agir rápido para evitar dependência de tecnologia estrangeira. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Em meio à corrida global pela inteligência artificial (IA), a América Latina vê surgirem oportunidades para avançar no mundo da nova tecnologia e desenvolver soluções próprias, mas ainda enfrenta desafios estruturais para acompanhar a velocidade do avanço observada em países como Estados Unidos e China. O assunto foi tema ontem de uma conversa de especialistas com a imprensa durante o Web Summit Rio 2026. Para Alexey Milovidov, cofundador e CTO da ClickHouse, iniciativas como o Latam-GPT — um chatbot de IA com objetivo de dar visibilidade à América Latina nesse novo segmento — são importantes para que a região desenvolva conhecimento e experiências na construção de modelos de IA generativa. Segundo ele, porém, esses esforços não devem ser isolados, mas servir de exemplo para que organizações da região invista mais em tecnologia em geral, aproveitando melhor o capital humano formado em instituições de ensino e pesquisa. — Isso deveria ser uma motivação para cada universidade e grande organização. Quando encontro engenheiros da região, vejo que as capacidades, as pessoas e o talento estão aqui. Esse potencial só precisa ser desenvolvido. E não deve se limitar à construção de modelos fundamentais de IA, mas também às aplicações, aos produtos e à infraestrutura necessária para sustentar essa tecnologia — afirma. Oportunidades e riscos Rodrigo Durán, gerente geral do Centro Nacional de Inteligência Artificial do Chile (Cenia), avalia que a América Latina deve focar não apenas no desenvolvimento de modelos de IA, mas também em suas aplicações, uma ênfase muito forte do desenvolvimento dessa tecnologia na China. Para ele, a América Latina enfrenta oportunidades, que também são riscos, em três áreas principais: produtividade e competitividade, combate à desinformação e formação de talentos. A oportunidade está no aproveitamento das potencialidades em novos negócios. O que a mineração tem a ver com o futuro da IA? Tudo, diz líder de empresa que inova no setor Entre os riscos está a dependência que países da região, como o Brasil, podem ter no futuro da tecnologia estrangeira, como observaram anteontem, em outro painel do Web Summit Rio, Ronaldo Lemos, um dos idealizadores do Marco Civil da Internet, e Bruno Lewicki, chefe de Políticas Públicas da OpenAI para a América Latina. — Esses modelos estão tornando o conhecimento mais barato, acessível e rápido. Nesse contexto, precisamos discutir qual será o papel das universidades, como preparar os jovens para o mercado de trabalho e quais habilidades eles precisarão desenvolver. A América Latina tem uma oportunidade porque possui uma população jovem maior do que outras regiões do mundo. Se agirmos rápido, o impacto pode ser significativo — diz. Ao avaliar o futuro da IA na América Latina, Milovidov destacou que ainda há avanços importantes a serem feitos, especialmente na área de infraestrutura: — A base já existe, especialmente na qualidade da educação. Mas, do ponto de vista da infraestrutura, como data centers, ainda há muito a melhorar, o que exigirá investimentos e esforço. Ainda assim, acredito que, nos próximos cinco anos, a IA será cada vez mais acessível para quem estiver disposto a aprender e pesquisar — afirma. Durán também acredita que a adoção da IA avançará na região, mas em um ritmo inferior ao observado em potências como Estados Unidos e China. — Acho que os níveis de adoção nos setores público e privado aumentarão, mas muito mais lentamente do que no Norte Global. Estados Unidos e China estão adotando e desenvolvendo essa tecnologia em uma velocidade maior. Embora estejamos avançando mais rápido do que há dois ou três anos, a distância continua aumentando. Reverter essa tendência exigirá investimentos em infraestrutura e medidas para acelerar a adoção da tecnologia — avalia. A cobertura do Web Summit Rio 2026 na Editora Globo é apresentada pelo Itaú.