Há uma tensão silenciosa atravessando toda a indústria global de tecnologia e ela deve dominar os debates do Web Summit Rio 2026. Essa é a visão de Paddy Cosgrave, cofundador e CEO do evento, que vai de hoje a quinta-feira, 11 de junho, no Riocentro. “Por duas décadas, a história da internet, do celular e da inteligência artificial foi escrita pelos Estados Unidos. Mas essa história agora está sendo desenhada em outro lugar, em países do Sul Global”, disse o executivo. “Estamos em um momento crítico da história da tecnologia. Uma batalha está em curso pelo futuro da IA.” Na visão de Cosgrave, o principal embate do setor hoje acontece entre dois modelos distintos de inteligência artificial: sistemas fechados e proprietários, controlados por poucas empresas, e ecossistemas “open source”, distribuídos globalmente. “De um lado, mais de um trilhão de dólares estão sendo aportados na crença de que um pequeno número de empresas americanas irá fornecer serviços de IA pagos para bilhões de pessoas. Do outro lado, estão os modelos ‘open source’, disponíveis gratuitamente para qualquer pessoa no mundo.” E nesse formato, diz, quem domina são os chineses. “Esse é um debate que as pessoas com certeza verão nos palcos do Web Summit Rio.” Na edição de 2026, o tema da inteligência artificial volta a dominar, mas não mais como uma ferramenta a ser adotada pelas empresas. Agora, as discussões se concentram em soberania digital, infraestrutura de IA, exploração de terras raras, regulamentação e até disputas geopolíticas: pela primeira vez, a América Latina tenta se posicionar não apenas como consumidora, mas como potencial produtora de tecnologia em escala global. Devem participar dos debates nomes como Marcio Aguiar, responsável pela operação da Nvidia na América Latina; Paula Bellizia, da Amazon Web Services (AWS); Fábio Coelho, presidente do Google Brasil; Christian Rôças, executivo da OpenAI responsável por creators e comunidades na América Latina; e Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão Europeia para a Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia. Entre os participantes não-humanos, destaque para o G1, robô humanoide da chinesa Unitree. “Ele conta com um modelo de IA open source, entende instruções em linguagem natural e custa um décimo do valor de equivalentes ocidentais”, diz Cosgrave. Apesar da ênfase nas inovações hi-tech, o executivo acredita que o principal ativo do Web Summit continua sendo o homem, e não a máquina. “No centro do Web Summit estão conexões significativas”, afirma. “É assim que a tecnologia avança.”