Expansão da inteligência artificial também gera projetos para aumentar a capacitação no Brasil Priscyla Laham, da Microsoft: investimento de R$ 14,7 bilhões no Brasil — Foto: Divulgação A inteligência artificial entrou na estratégia de empresas de tecnologia que atuam no Brasil, com investimentos em aplicações para negócios e na infraestrutura necessária para operar esses sistemas. Claro Empresas, Canva e Google Cloud estão entre as companhias que trabalham para ampliar o uso da tecnologia, enquanto Microsoft, Equinix e Nvidia avançam na oferta de capacidade computacional. A Claro Empresas busca expandir a atuação para além da conectividade e oferecer soluções que combinem rede, nuvem, segurança, inteligência artificial e análise de dados. Segundo Gustavo Silbert, diretor-executivo da Claro Empresas, o desafio das companhias é identificar como a tecnologia pode gerar resultado para o negócio: “A inteligência artificial tem que estar a serviço do negócio. Não é simplesmente colocar uma tecnologia porque ela está na moda, mas entender onde ela pode gerar eficiência.” A empresa também aposta no avanço do 5G corporativo, principalmente em setores como indústria, com aplicações envolvendo automação e equipamentos conectados. No Web Summit Rio, realizado de 8 e 11 de junho, a Claro anunciou uma oferta de “GPU as a Service”, modelo que permite a contratação de capacidade de processamento para projetos de inteligência artificial sem a necessidade de compra de equipamentos próprios. “Historicamente, uma das principais barreiras para a adoção maciça de GPUs está na forma como elas são disponibilizadas, geralmente comercializadas em blocos fechados de oito unidades, exigindo investimentos elevados”, afirmou Rodrigo Assad, diretor de inovação e produtos B2B do beOn Claro. No mercado de criação, o Canva trabalha para ampliar o uso da inteligência artificial entre profissionais e empresas. A companhia tem incorporado recursos de IA à plataforma e avançado no segmento profissional com a aquisição do Affinity, aplicativo de design que reúne ferramentas de edição de imagem, criação vetorial e layout em uma única plataforma. A empresa também comprou a Cavalry, startup de animação 2D, ampliando a atuação para novas etapas da produção de conteúdo. Para Alberto Ceresa, gerente do Canva no Brasil, a tecnologia pode reduzir barreiras para quem trabalha com criação: “O papel da IA é tirar barreiras e permitir que mais pessoas consigam criar”, afirmou. O Google Cloud aposta, por sua vez, na capacitação como uma das frentes para ampliar a adoção da tecnologia. A empresa aumentou de 1 milhão para 3 milhões a meta de brasileiros treinados em inteligência artificial e computação em nuvem. Segundo Giulianna Domingues, líder de marketing para startups do Google Cloud no Brasil, muitas empresas ainda precisam adaptar processos para incorporar a tecnologia: “A inteligência artificial é o que vai fazer a empresa mais competitiva, mas ainda existe uma preocupação em redesenhar os processos.” O avanço da IA também aumenta a demanda por infraestrutura. Modelos mais avançados exigem maior capacidade de processamento, ampliando a necessidade por chips especializados e data centers. A Nvidia, uma das principais fornecedoras de chips usados em aplicações de inteligência artificial, avalia que o Brasil conta com potencial para receber novos investimentos, mas precisa avançar em previsibilidade para atrair empresas. “O Brasil tem toda a infraestrutura necessária para receber esses investimentos. O que acaba mexendo com a tomada de decisão é a definição de algumas políticas e incentivos”, afirmou Márcio Aguiar, diretor da Nvidia para América Latina. Segundo o executivo, a expansão de data centers pode gerar empregos em diferentes etapas, da construção à operação dos equipamentos. “Quando você traz essa capacidade de produzir e processar dentro do país, você gera milhares de empregos, desde a construção, manutenção e expansão, além de profissionais qualificados para fazer a gestão desses computadores”, disse. A Microsoft anunciou investimento de R$ 14,7 bilhões em infraestrutura de nuvem e inteligência artificial no Brasil até 2027, além da meta de capacitar 5 milhões de brasileiros em IA. Para Priscyla Laham, presidente da Microsoft Brasil, o país tem uma base de desenvolvedores e uma demanda crescente das empresas por eficiência operacional. A Equinix, provedora global de infraestrutura digital e data centers, acompanha esse movimento pelo lado dos data centers. Para Victor Arnaud, presidente da empresa no Brasil, a inteligência artificial aumentou a atenção sobre uma infraestrutura que sustenta os serviços digitais: “Por muitos anos, as pessoas pensavam que a internet era etérea, mas qualquer dado que você consome está em algum lugar. A inteligência artificial trouxe para a frente uma discussão que ficava invisibilizada, qualquer serviço precisa de uma infraestrutura física.”
Big techs investem para expandir infraestrutura computacional
Expansão da inteligência artificial também gera projetos para aumentar a capacitação no Brasil












