Ganha espaço no debate a ideia de fazer um ajuste fiscal robusto, de 2,5% a 3% do PIB (Produto Interno Bruto), e depois, com a credibilidade restabelecida, elevar a meta de inflação para perto de 4%. A lógica é que dívida alta com meta baixa exige juro real alto por mais tempo, o que potencializa a despesa financeira e a pressão sobre a dívida.

Meta baixa e dívida alta acabam se retroalimentando. E quanto mais o Banco Central se compromete com a meta baixa, maior o esforço monetário necessário, ampliando o risco sobre a sustentabilidade fiscal.

Fachada do Banco Central em Brasília - Antonio Molina/11.jan.22/Folhapress

A proposta de elevar a meta parte do pressuposto de que essa medida coordenaria melhor as expectativas, reduzindo a necessidade de juro real tão alto. Isso talvez funcionasse se a nova meta de inflação fosse percebida como um parâmetro fixo e crível. No Brasil, porém, diante das ameaças recorrentes de mudança de meta e à autonomia do BC, essa condição dificilmente se sustentaria.

Em fevereiro de 2023, o governo passou a defender publicamente a revisão da meta, enquanto criticava a condução da política monetária. O resultado foi imediato. Entre fevereiro e abril, mesmo com o novo arcabouço fiscal sendo bem recebido, criando a esperança de um ajuste fiscal, as expectativas de inflação do Focus subiram em todos os horizontes.