Juros x Inflação: Entenda a relação entre eles Crédito: Larissa Burchard/Laís NagayamaNa quarta-feira, o Banco Central decidirá entre a manutenção da taxa de juros em 14,25% ao ano e um novo corte, provavelmente de 0,25 ponto percentual. A diferença na prática não será grande. O que importa no quadro é que o espaço para mais reduções na Selic é escasso – e a mudança dessa realidade depende de fatores externos e de medidas internas, que não serão tomadas em um ano eleitoral. PUBLICIDADEO quadro atual é conhecido. A inflação deste ano, de acordo com o Boletim Focus, está na casa dos 5% — acima, portanto, do teto de 4,5% da meta a ser perseguida pelo Banco Central. O limbo no qual está a guerra dos Estados Unidos contra o Irã indica que o preço do petróleo oscilará num patamar alto pelos próximos meses. O El Niño que vem aí afetará a produção de alimentos e commodities agrícolas. Esses dois fatores indicam pressão inflacionária por um bom tempo. Nenhuma autoridade monetária tem como saber a extensão dos efeitos desses dois fatores nas economias, menos ainda quando eles cessarão. Além dessa dificuldade, o Banco Central lida com a incerteza interna do que será feito na política fiscal a partir de 2027. Banco Central decidirá na quarta-feira entre a manutenção da taxa de juros em 14,25% ao ano e um novo corte Foto: Jonas Pereira/Agência SenadoÉ fato que o próximo governo, qualquer que seja seu condutor ou linha ideológica, terá de fazer uma revisão nos gastos públicos. A trajetória ascendente da dívida pública, hoje equivalente a 81,9% do PIB, tem de ser interrompida. A prática do governo de injetar bilhões de reais para manter a atividade econômica, que vigora desde 2023, terá de ser revista. A extensão da revisão das despesas vai determinar o tamanho do espaço para uma redução consistente dos juros. Leia tambémGuerra no Irã, efeito El Niño e recorrente criação de gastos públicos alimentam a inflação no BrasilA conta da dívida chegou: atingiu o equivalente a 81,1% do PIB, nível alto para o BrasilContas públicas: regra de apontar a receita compatível para sustentar o gasto vem sendo ignoradaAcredito que não serão suficientes medidas paliativas, como novos pentes finos em programas sociais. O alcance desse tipo de medida é limitado do ponto de vista fiscal. O próximo governo terá de fazer escolhas duras. Será necessário também resgatar a credibilidade do arcabouço fiscal, não apenas com eventuais apertos nos limites de gastos, mas com o fim da prática recorrente de ilusão contábil de excluir do arcabouço determinadas despesas de forma oportunista. PublicidadeNão há também mais espaço para insistir na estratégia de resolver o problema na base da ampliação da arrecadação. O próximo governo terá de atuar com firmeza para conter gastos e aprovar mudanças, como a reforma administrativa, capaz de reduzir custos e tornar a máquina pública mais justa. Sem uma forte redução na gastança, não haverá espaço para redução significativa dos juros no médio prazo, nem para um crescimento maior da economia nos próximos anos.