O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, nesta quarta-feira (5), cortar a taxa básica de juros para 14% ao ano. Foi a quarta reunião seguida em que o colegiado do Banco Central (BC) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual. Com a queda, a taxa vai ao menor patamar desde março de 2025, quando estava em 13,25%. O colegiado informou em comunicado que “o cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária.” “O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o BC. O Copom reafirmou que, e em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, “a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”. Incerteza no ambiente externo O Copom informou em comunicado que o ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, disse. Pesquisa conduzida pelo Valor e publicada na segunda-feira (3) ouviu 113 instituições financeiras, gestoras de recursos e consultorias, das quais 110 esperavam redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica. Outras 3 projetavam uma manutenção dos juros em 14,25% ao ano. O Copom realiza a próxima reunião nos dias 15 e 16 de setembro. Inflação O colegiado informou que a inflação cheia desacelerou, porém ainda está acima do limite superior da meta. Enquanto isso, as medidas subjacentes desaceleraram para patamar “ligeiramente abaixo do limite superior da meta”. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou de 4,72% em maio para 4,64% em junho no acumulado de 12 meses. A mediana das projeções dos agentes financeiros para 2026, segundo o Relatório Focus, caiu pela 5º semana seguida, indo a 5,03%, acima da meta de 3% e do teto de 4,5%. Para 2027, manteve-se em 4,22% nesta semana. O comunicado disse ainda que o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião, em junho, sugere uma moderação gradual da atividade econômica, “embora ainda em patamar resiliente”, com sinais mistos entre setores, e mercado de trabalho aquecido. O Copom informou ainda que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista. Não houve mudanças nos riscos listados pelo comitê, em relação aos destacados na reunião anterior, de junho. Entre os riscos de alta, o BC destaca "uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta, relacionados ao petróleo e seus derivados, e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia". Também cita “uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo” e “uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada”. Por fim, fala sobre os “estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária”. O Copom destacou apenas três riscos baixistas: uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, e de um cenário de maior incerteza; e uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários. Confira a íntegra do comunicado do Banco Central: “O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities. Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião sugere uma moderação gradual da atividade econômica, embora ainda em patamar resiliente, com sinais mistos entre setores, e mercado de trabalho aquecido. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia desacelerou, porém ainda acima do limite superior da meta, enquanto as medidas subjacentes desaceleraram para patamar ligeiramente abaixo do limite superior da meta. As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 5,0% e 4,2%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2% no cenário de referência (Tabela 1). Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta, relacionados ao petróleo e seus derivados, e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada; e (iv) estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários. O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. Os indicadores correntes de atividade mantêm-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026. O Comitê monitora com atenção a desancoragem adicional das expectativas de inflação para prazos mais longos na medida em que esta contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo de desinflação. Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta. O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego. O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, e Rodrigo Alves Teixeira.“
BC faz quarto corte seguido na Selic e taxa vai a 14% ao ano
Com a queda, a taxa vai ao menor patamar desde março de 2025, quando estava em 13,25%












