O Banco Central reduziu os juros para 14% ao ano, conforme esperado, e também o comunicado da decisão do Copom. Ele ficou um pouco mais enxuto, após os ruídos causados na última reunião, e não trouxe sinais sobre os próximos passos da política monetária. A Selic tanto pode ficar parada quanto cair em setembro, às vésperas das eleições presidenciais. PUBLICIDADEO BC quer ganhar tempo para avaliar os indicadores em um ambiente de volatilidade no mundo, principalmente pela guerra, e, no Brasil, pela incerteza eleitoral e os riscos fiscais.O corte aconteceu, entre outros motivos, porque o BC fez uma “gordura” com a taxa de juros, que está extremamente alta há bastante tempo. Mesmo com a redução, a Selic continua contracionista, ou seja, freando o nível de atividade econômica para combater a inflação. Copom reduz juros para 14% ao ano, enxuga comunicado e evita sinais sobre rumo da Selic na próxima reunião Foto: Dida Sampaio/EstadãoPesquisa do banco BTG com 70 participantes de mercado, feita de forma anônima, mostrou que 74,3% consideravam o corte de 0,25 ponto a decisão acertada nesta quarta-feira, 5, enquanto 22,9% defendiam a manutenção e, apenas 2,9%, uma alta de 0,25 ponto. E 100% deles apostavam no corte de 0,25 ponto pelo Banco Central. Ou seja, o BC fez o que se esperava.Desde a última reunião, vários indicadores foram divulgados indicando melhora na inflação corrente e nos dados de atividade, que perdeu força. O IPCA de junho e o IPCA-15 de julho vieram abaixo do esperado, tanto no índice quanto nos chamados “núcleos”, que excluem itens mais voláteis. A produção industrial caiu por dois meses seguidos, o comércio recuou em um mês e ficou estagnado em outro, e o setor de serviços também recuou em dois dos últimos três meses divulgados.PublicidadeLeia maisCopom reduz taxa de juros em 0,25 ponto pela 4ª vez seguida e Selic cai a 14% ao anoCopom reduz Selic para 14%: o que muda para renda fixa, Bolsa e FIIsO dólar também permaneceu rondando a casa dos R$ 5,10, mesmo com a piora na percepção fiscal e a proximidade das eleições, com o presidente Lula - que não agrada o mercado - à frente das pesquisas eleitorais. Por outro lado, o preço do petróleo voltou a subir com uma nova escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irã.Os dados correntes são importantes, mas o BC olha mesmo para o chamado “horizonte relevante”, um período 18 meses à frente. Pelas suas projeções, o IPCA ficará em 3,2% no primeiro trimestre de 2028 - ou seja, muito próximo da meta de 3%.Na última reunião, o BC se atrapalhou ao tentar explicar a queda da Selic, e muitos economistas chegaram a colocar em xeque a credibilidade da diretoria do Copom. O tempo mostrou duas coisas: a comunicação foi equivocada, mas a decisão de reduzir estava certa, porque evitou a volatilidade nos juros.
Opinião | Tempo mostrou que BC fez ruído na comunicação, mas acertou ao seguir com cortes nos juros
Copom reduz juros para 14% ao ano, enxuga comunicado e evita sinais sobre rumo da Selic na próxima reunião












