0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O edifício do Banco Central, em Brasília — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo O Copom reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano, mas evitou sinalizar os próximos passos da política monetária. No comunicado, o Banco Central reforçou a preocupação com a inflação, afirmou que os riscos seguem elevados, citando a preocupação com a questão climática (El Ninõ) e fiscal. A decisão já era amplamente esperada pelo mercado. Foi o quarto recuo consecutivo, somando uma queda total de 1 ponto percentual. No comunicado, o Banco Central afirmou que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, "permanecem mais elevados que o usual". Lembrando que o IPCA de junho ficou em 0,16% em junho, desacelerando frente a maio (0,58%), abaixo das expectativas do mercado. No entanto, o acumulado em 12 meses fechou em 4,64%, acima do teto da meta. Entre as principais preocupações do BC estão a possibilidade de as expectativas de inflação seguirem desancoradas por mais tempo, os impactos da alta do petróleo e de eventos climáticos sobre alimentos e energia, a resistência da inflação de serviços, uma eventual desvalorização persistente do câmbio e estímulos à demanda que levem a economia a crescer acima do potencial. Por outro lado, a autoridade monetária apontou que uma desaceleração mais intensa da economia brasileira e mundial, assim como uma queda nos preços das commodities, poderiam contribuir para reduzir a inflação. Para o economista-chefe do Banco Votorantim, Roberto Padovani, o texto foi bastante cauteloso e reforçou a preocupação da autoridade monetária com os riscos inflacionários, que seguem com viés de alta. Segundo ele, o Banco Central demonstrou atenção especial à desancoragem das expectativas de inflação, ao comportamento da inflação de serviços, às oscilações do câmbio e a possíveis estímulos à atividade econômica. Na avaliação de Padovani, pelos modelos do próprio Banco Central, uma Selic de 13,75% levaria o IPCA a cerca de 3,2%, muito próximo da meta de inflação, o que indica que o ciclo de calibragem da política monetária está perto do fim. Ainda assim, a decisão sobre um novo corte em setembro dependerá da evolução de indicadores como o preço do petróleo, os juros nos Estados Unidos e a trajetória da dívida pública brasileira. — O Banco Central deixou as portas abertas para a próxima decisão, que dependerá basicamente de novas informações. Segundo o economista, após esse processo, a tendência é que a autoridade monetária caminhe para uma pausa no ciclo de redução dos juros. Para o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, o Banco Central foi mais "comedido" e "conciso" do que na reunião anterior, mantendo uma postura mais reservada em relação aos próximos passos. Na avaliação dele, a autoridade monetária sinalizou preocupação com a inflação e deixou totalmente em aberto a decisão sobre a reunião de setembro. — Temos uma inflação elevada para o próximo ano por conta do El Niño, que pode ficar próxima do teto da meta. O Banco Central terá de começar a incorporar esse cenário no segundo semestre. Pedro Galdi, analista do AGF, sobre Copom, acredita que a postura em relação a próxima reunião de setembro será de cautela, justificando a necessidade de serem avaliados os próximos dados de inflação no país. - Mesmo assim, o mercado trabalha com grande probabilidade de mais um corte de 0,25% em setembro.