Partindo de uma sociedade igualitária, várias desigualdades vão surgir naturalmente. As diferenças decorrentes de esforços e preferências individuais fazem parte de qualquer país. Pessoas assumem riscos diferentes e fazem escolhas distintas. Seria estranho imaginar que todas terminassem a vida na mesma situação. Porém, o desafio começa na geração seguinte.
A desigualdade produzida em uma geração transforma-se em desigualdade de oportunidades na próxima. Famílias que acumularam mais recursos conseguem oferecer vantagens aos filhos. Essas vantagens aumentam suas chances de acumular mais patrimônio. Parte desse patrimônio será novamente transmitida à geração seguinte.
Então, a loteria do nascimento começa a ganhar mais peso.
É aqui que uma discussão normalmente tratada como questão de justiça social se transforma também em um desafio econômico.
Uma economia funciona melhor se as pessoas conseguirem chegar às posições nas quais suas capacidades individuais são mais bem usadas. Pode até parecer óbvio. Contudo, sociedades desiguais fazem algo diferente. Elas costumam selecionar pessoas pela origem que tiveram. E isso tem o seu preço.









