As universidades brasileiras foram, por muito tempo, "um parque de diversões das elites". A definição é do economista Michael França, para quem a expansão do ensino superior e políticas como as cotas democratizaram o acesso às faculdades, mas não eliminaram as vantagens herdadas por quem nasceu nos estratos mais privilegiados da sociedade.
A provocação abriu a mesa que reuniu França e a jornalista da Folha Angela Boldrini, mediada pela repórter especial Flavia Lima, na Casa Folha, na Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, nesta sexta (24).
França afirmou que o ensino superior deixou de ser um espaço quase exclusivo da elite, mas que isso não bastou para igualar oportunidades. "Havia uma expectativa de que a universidade transformaria a vida. Essa geração saiu para o mercado de trabalho e encontrou várias barreiras inesperadas", disse.
Como exemplo, citou dois alunos da Universidade de São Paulo com desempenho semelhante —um filho da camada alta e outro do porteiro. O primeiro tende a largar na frente graças às redes de contato e ao capital social acumulado desde a infância.
Ele lembrou colegas de faculdade que ganharam carros ao serem aprovados no vestibular ou passaram anos viajando antes do primeiro emprego. "Tiravam sabático antes de trabalhar." A loteria do nascimento, portanto, continua pesando mesmo depois do diploma.








