Nas últimas semanas, a universidade brasileira foi sacudida por uma polêmica. Dois manifestos contrastantes foram lançados, com visões divergentes sobre o problema da liberdade de expressão. O primeiro, intitulado Em Defesa do Pluralismo e da Liberdade Acadêmica, denuncia o crescimento da intolerância e o cerceamento de debates. A resposta, Em Defesa do Pluralismo Encarnado, desloca a discussão, pontuando que nunca houve tanta diversidade. O pluralismo seria medido por alunos de origem social diferente presentes, hoje mais que antes, graças às políticas de democratização do acesso ao ensino superior.

São alvos distintos. Um indica que estudantes e professores revelam receio de apresentar opiniões divergentes da maioria (real ou percebida) nos campi. Para o outro, o que importa é a presença de vivências sociais plurais. Enquanto um grupo fala em “respeito às instituições democráticas e às garantias constitucionais”, o opositor afirma que o debate “exige compromisso ético (e) empatia pela diferença”.

Cada manifesto reúne centenas de assinaturas, com predominância de docentes de humanas. Ainda que os dois grupos sejam heterogêneos, é possível dizer que os signatários do primeiro manifesto em geral têm reputação acadêmica mais estabelecida, enquanto o segundo congrega mais professores jovens, que buscam um lugar ao sol. Esse conflito geracional não é surpreendente (e explica a centralidade, no contramanifesto, da ideia de que a insatisfação é efeito do “ressentimento” de quem vê sua posição ameaçada). Mas, para além dele, o debate revela um mal-estar nas universidades que precisa ser discutido.