Pense em uma mãe de classe média que trabalhou toda a vida sem diploma universitário. Ela fez de tudo para que o filho estudasse. Incentivou da forma que pôde e comemorou cada conquista dele. O garoto chegou à universidade. Formou-se. E hoje, aos 30 anos, seu salário não proporciona aquilo que imaginava. Ele ainda mora com ela. Ela não entende o que deu errado. Ele também não.
Esse é um dos retratos de uma transformação geracional que discuti em um estudo que realizei com Daniel Duque e Fillipi Nascimento intitulado "Geração X versus millennials: quem são os grandes vencedores?".
Os millennials (geração geralmente definida como a dos nascidos de 1981 a 1996 e, no estudo, representada pelos nascidos de 1992 a 1994), estudaram mais do que qualquer geração anterior. Tiveram mais acesso ao ensino médio e à universidade. Cresceram em um país com inflação controlada e sem muitos dos choques que marcaram a juventude da geração X (no estudo, representada pelos nascidos de 1967 a 1969).
A geração X encontrou um país mais instável. Depois surfou um período de expansão econômica e de valorização do salário mínimo. Já os millennials chegaram ao mercado justamente em um momento de baixo crescimento. Eles fizeram o que a sociedade pediu que fizessem. Mesmo assim, encontraram um mercado de trabalho difícil e menos segurança econômica.















