São 11,9 milhões de mães cuidando de filhos cujos pais não fazem jus ao título. De um lado, mulheres que se esforçam até a exaustão; de outro, homens que fazem de tudo para se eximir de suas responsabilidades. O comportamento destes últimos vem sendo chamado de "aborto masculino", por não oferecerem as condições de sobrevivência aos seus filhos e pela dupla moral que costuma estar em jogo.
Ainda que correndo o risco de generalizações, vale buscar a lógica que une esse grupo de homens.
Entre o pai que acha que cabe à mulher cuidar dos filhos e aquele que abandona há um abismo. Ainda assim, os extremos se unem pela mesma lógica.
A base comum é a ideia de que os filhos são mais das mães do que dos pais. Argumento perfeito para quem não quer levantar de madrugada para trocar fralda ou abrir mão do lazer ou do trabalho para olhar os filhos.
Essa crença é mantida muitas vezes pelas próprias mulheres que, não raro, se queixam da sobrecarga sem esconder uma ponta de orgulho por sua dedicação maternal. Afinal, a maternidade é uma das únicas funções sociais nas quais a mulher tem mais prestígio do que o homem. O processo que as colocou nessa posição paradoxal pode ser encontrado na história da criação da família burguesa.







