Lavar e estender a roupa, ir ao mercado, cozinhar, varrer, passar pano, tirar pó, cuidar dos filhos, cuidar dos pais... A lista do trabalho invisível que recai principalmente sobre as mulheres não tem fim. Mesmo quando ela contrata alguém —normalmente outra mulher que cuida da própria casa— e não faz a maioria das tarefas, costuma ser dela, em casais heterossexuais, a responsabilidade por coordenar esses afazeres.

A solução para o fim da sobrecarga resultante desse trabalho invisível além do emprego formal e tudo o que isso envolve está longe, diz Monalisa Nascimento dos Santos Barros, professora de psicologia e medicina da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

Segundo ela, o caminho para uma mudança passa necessariamente pela educação das crianças, com mães e pais ensinando meninos que o cuidar também é uma tarefa que lhes cabe e dizendo às meninas que esse cuidado não depende só delas.

"No Brasil, é muito comum a mãe convocar a filha para ajudar nas tarefas de casa e isentar o filho", afirma. "E aí criamos homens deficitários, que não sabem lidar com questões da vida. Isso precisa mudar."

Como saída mais imediata para o alívio da carga, para os casais heterossexuais ela recomenda a redistribuição das tarefas. "Pode ser difícil ter essa conversa com o parceiro, mas não seja a única a responder pelos afazeres", aconselha.