Diz-se que é preciso estar presente. Que conseguimos tudo o que queremos. Que devemos cuidar de nós.A informação existe. As frases repetem-se.O problema é outro: na maioria dos dias, nada disso cabe.Vivemos na era do cansaço.Não apenas do excesso de tarefas, mas do esforço constante para otimizar tudo: o tempo, o trabalho, os filhos, as relações.Sabemos o que deveríamos fazer.Mas entre o que sabemos e o que conseguimos fazer há um intervalo cada vez maior.O dia enche-se rapidamente.Entre mensagens, e-mails, notificações, conteúdos que se sucedem sem pausa, vamos consumindo tudo em fragmentos. Vemos, reagimos, seguimos para o próximo. E, quando damos conta, o tempo disponível já não chega para o que é essencial.Não é falta de vontade, é falta de condições.Para muitas mães, especialmente as que vivem a gestão da família em primeira linha, isto é ainda mais evidente. São elas que seguram o ritmo, organizam o quotidiano, antecipam, resolvem, mantêm tudo a funcionar.Mas viver assim, em resposta constante, não permite escolher. Apenas reagir.No desporto, isto não funciona. Nenhuma equipa entra em campo sem saber onde está, para onde quer ir e como lá chegar.Há técnica.Há tática.Há estratégia.Analisa-se o jogo.Decide-se o que importa.Deixa-se para trás o que não contribui.E corre-se para a baliza.Na vida das mães, raramente há este espaço de análise. Tudo parece urgente. Tudo pede resposta. Tudo entra.E, sem esse filtro, perde-se o essencial.Talvez o ponto de partida não seja fazer mais. Nem fazer melhor.Seja parar e perceber:onde estou,para onde quero ir,e o que é mesmo importante levar comigo.Tempo.Descanso.Exercício físico.Vínculos reais.Sem isto, não há estrutura que aguente.Trazer os valores do desporto para dentro de casa não é uma metáfora bonita. É uma forma prática de reorganizar a vida.Criar espaço.Definir prioridades.Proteger o que sustenta.E posicionar-se.Porque, se não o fizermos, alguém fará essa escolha por nós: o scroll, as notificações, a resposta imediata.E, nesse jogo, não estamos a jogar para ganhar. Estamos apenas a tentar não perder.A autora escreve segundo o Acordo Ortográfico de 1990