Casada, mãe de duas crianças (3 e 4 anos), com um emprego CLT e dona de três empresas, a sergipana Larissa Lima Barros, 29, que ainda cuida dos pais, diz sentir que não tem o direito nem de ficar doente. "Vêm cobranças de todos os lados. Não posso parar, é uma sobrecarga sem fim."

Como Larissa, muitas brasileiras se dividem entre o trabalho formal e os cuidados com a família e a casa. Responsáveis por chefiar 49,1% dos lares no Brasil, segundo o IBGE, as mulheres com emprego eram ao menos 41,4% em dezembro de 2025, de acordo com o 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, iniciativa dos ministérios do Trabalho e das Mulheres que analisou empresas privadas com cem funcionários ou mais.

Considerando apenas os afazeres domésticos, as mulheres trabalham, em média, quase 40 horas a mais do que os homens por mês, ainda segundo o IBGE. Levando em conta o trabalho remunerado, elas ganham 21,3% menos do que os homens, apontou o relatório de transparência salarial.

Mas o fato de as mulheres trabalharem mais do que os homens em casa não é novidade. "A mulher foi disciplinada para ser cuidadora, para manter determinadas funções dentro da sociedade. Isso é uma construção histórica", afirma a historiadora e socióloga Rosana Schwartz, coordenadora do programa de pós-graduação em educação, arte e história da cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie.