Thaiz D., 45, tem sido por anos o que ela chama de "muro de arrimo" da família. Quando trabalhava na gerência de um restaurante em São Paulo, destinava boa parte do salário para os cuidados com a mãe, aposentada que havia ficado sem renda após o divórcio, e com o irmão que, por uma condição de saúde, não podia trabalhar.

Logo depois de descobrir uma gravidez não planejada, trocou de emprego atraída pela promessa de triplicar o salário e trabalhar em horário comercial. A nova empresa, porém, fechou em três meses e deixou os funcionários a ver navios.

Veio a pandemia de Covid-19, a separação do companheiro e o golpe mais duro: o falecimento da mãe. Em meio ao luto e à criação da filha pequena, se viu com pratinhos demais para equilibrar. Para ajudar o outro irmão, ainda renegociou as dívidas dele e as colocou no próprio nome. Ele prometeu pagar, mas parou de cumprir a promessa logo nas primeiras parcelas.

Hoje, Thaiz é assistente pessoal e o salário do mês não sobra. Os pingados que às vezes tem, afirma ela, vão para um CDB (Certificado de Depósito Bancário) de liquidez diária. "A aplicação, para mim, não é segurança, não é plano de longo prazo. É um meio de sobrevivência para não perder mais dinheiro", afirma.