A maternidade costuma ser vendida como território do instinto, da entrega natural e do amor garantido de fábrica. Mas e se essa certeza for menos biologia do que discurso?

No segundo episódio do CartaMaterna, Clara Whitaker conversa com a psicanalista Vera Iaconelli, autora de Manifesto antimaternalista, sobre o mito do instinto materno, a sobrecarga imposta às mulheres e a dificuldade social de admitir que o cuidado não nasce pronto.

“Há muitas provas contrárias à ideia de instinto”, afirma Vera. Para ela, assusta imaginar que o amor da mãe não está garantido de saída — e que fomos cuidados por pessoas que não sabiam necessariamente o que queríamos. “Essa falta de garantia é muito assustadora para o nosso narcisismo.”

A conversa também desafia a ideia de sacrifício. Para a psicanalista, desejar um filho não é, em si, um gesto altruísta. Mas, uma vez diante de uma criança, começa outra história. “Não há nada altruísta em desejar ter um filho. Mas, na hora em que você o tem e se responsabiliza por ele, passa a ter uma tarefa que requer abnegação.”

Confira a transcrição completa do episódio: