A maternidade contemporânea vive entre dois excessos: a sobrecarga absoluta e a terceirização completa do cuidado. No episódio de estreia do CartaMaterna, podcast de CartaCapital, Clara Whitaker conversa com Dulce Amabis sobre esse território em que gestar, parir e cuidar parecem exigir, ao mesmo tempo, presença total, repertório técnico e rede de apoio.
Bióloga, mestre e doutora em genética pela USP, psicoterapeuta e há décadas dedicada ao acompanhamento de gestantes e puérperas, Dulce discute como a maternidade deixou de ser aprendida em comunidade e passou a ser atravessada por cursos, aplicativos, palpites e algoritmos. “É muito mais difícil ser mãe hoje do que era no tempo da minha avó”, afirma. Para ela, o cuidado não nasce pronto: “Você vai aprender a cuidar do bebê cuidando”. O risco, diz, é trocar a observação da criança por uma dependência ansiosa de telas, livros e fórmulas.
A conversa passa por parto, doulas, cesáreas, casas de parto, amamentação, sono, puerpério e políticas públicas. Dulce também chama atenção para a necessidade de ajuda concreta no pós-parto: “Quem tá com bebezinho recém-nascido, alguém tem que fazer a comida para ela, alguém tem que limpar a casa, alguém tem que lavar a roupa”. Mas alerta para o outro extremo: delegar tanto o cuidado que se perde a chance de conhecer o próprio bebê. “Tem que achar o meio do caminho”, resume.












