Toda sociedade que acredita na igualdade de oportunidades costuma assumir um bonito compromisso com suas crianças. O compromisso de que o lugar onde alguém nasce não deve decidir o tamanho do seu futuro. Trabalho duro e estudo deveriam abrir horizontes. Mesmo quando o caminho começa difícil, deveria existir uma estrada possível entre a origem e o destino.

A Curva do Grande Gatsby ajuda a entender por que esse compromisso parece tão distante para as gerações mais jovens. Ela mostra uma relação na qual países com maior desigualdade tendem a ter menor mobilidade entre gerações. À medida que a distância entre ricos e pobres cresce demais, fica mais difícil para os filhos dos mais pobres subir e mais fácil para os filhos dos mais ricos permanecer no topo.

O Brasil aparece como um dos casos mais expressivos dessa tensão. Nossa concentração de riqueza e renda faz com que a origem familiar tenha um peso muito alto na vida adulta. Nascer em uma família rica costuma significar acesso a uma série de vantagens. Nascer em uma família de classe média baixa ou pobre, por outro lado, significa começar a corrida muitos metros atrás e com responsabilidades adultas chegando cedo demais.

É por isso que a desigualdade brasileira não afeta apenas o presente. Ela atravessa gerações. A renda e a riqueza concentradas no topo tendem a se converter em investimento privado nos filhos, em herança, em moradia melhor, em escolas melhores e em uma rede de proteção que reduz o custo dos fracassos. Agora, se você nasce na classe média ou na pobreza, você terá muito menos tempo disponível para construir o próprio caminho.