Dizem-nos, desde cedo, que o Direito é uma profissão de certezas. Que o trabalho do jurista é encontrar a norma certa, aplicá-la ao caso concreto e seguir em frente. Se fosse assim tão simples, provavelmente não estaria a escrever este texto. Estaria, talvez, a preencher formulários em piloto automático, convencida de que a advocacia é uma profissão mecânica que dispensa inquietação. Felizmente, não é. E foi essa descoberta – a de que o Direito é tudo menos previsível – que me fez apaixonar por esta profissão.Comecei o meu estágio numa sociedade de advogados internacional e foi aí que tudo ganhou outra dimensão. O primeiro dia numa grande estrutura tem tanto de entusiasmante como de desafiante: o ritmo é intenso, os temas são exigentes e a vontade de estar à altura é enorme. Para alguém que vem da universidade, onde os debates são longos e as conclusões podem ficar em aberto, o ritmo é outro. Aqui, o cliente espera respostas – e espera-as rápido.Houve quem me dissesse que a minha geração quer tudo de imediato e não sabe esperar. Talvez haja alguma verdade nisso, mas também é verdade que trazemos uma curiosidade genuína que pode ser um motor de mudança. "Porque é que se faz assim?" é uma pergunta muitas vezes recebida com um sorriso pedagógico e outras tantas capaz de abrir portas para diálogos estimulantes e verdadeiramente formativos. A advocacia, como tantas outras profissões, tem as suas tradições. Algumas são pilares essenciais, outras podem beneficiar de um olhar novo. E é aí que os jovens podem (e devem) contribuir.
Ser jovem e advogada: entre o código e a curiosidade
Há uma certa narrativa que insiste em rotular os jovens profissionais como impacientes e pouco resilientes. Eu prefiro olhar para a minha geração de outra forma: somos exigentes, sim, mas connosco.












