Material reúne análise de especialistas sobre educação e trabalho de 13 perfis de juventudes vulneráveis Estudo Juventudes Brasileiras Minorizadas — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/05/2026 - 11:09 Estudo revela barreiras enfrentadas por jovens vulneráveis no Brasil Um estudo inédito, lançado pela Fundação Roberto Marinho, Itaú Educação e Trabalho e Iede, em parceria com o Unicef, analisa as barreiras enfrentadas por 13 grupos de juventudes vulneráveis no Brasil, destacando desigualdades no acesso à educação, trabalho e direitos. O material, composto por 14 artigos, revela como fatores como raça e condição socioeconômica influenciam essas disparidades, e sugere políticas públicas inclusivas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Estudo lançado nesta terça-feira pela Fundação Roberto Marinho, Itaú Educação e Trabalho e Iede, em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), apresenta um panorama inédito sobre os desafios enfrentados pelas juventudes minorizadas no Brasil. O documento mostra como 13 grupos de juventudes enfrentam barreiras históricas no acesso à educação, ao trabalho e a direitos básicos. O material é composto por 14 artigos elaborados por especialistas e relatos de jovens. O primeiro artigo traça um panorama histórico das políticas públicas para as juventudes e os demais analisam, de forma inédita, 13 perfis de juventudes brasileiras em contextos de maior vulnerabilização: juventudes negras;em situação de pobreza; indígenas;quilombolas; rurais;estudantes de escola pública; pessoas com deficiência;LGBTQIAPN+;jovens mães;mulheres nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática;adolescentes em medidas socioeducativas;adolescentes em situação de trabalho infantil;jovens refugiados. A publicação traz um mapeamento de vulnerabilidades específicas, analisa políticas públicas existentes e aponta lacunas na garantia de proteção, inclusão e oportunidades para esses jovens. Dados do IBGE mostram que o Brasil tem mais de 46,5 milhões de jovens entre 15 e 29 anos, ou seja, quase um quarto da população. Os artigos mostram que, entre as juventudes minorizadas, predominam trajetórias marcadas por atraso ou interrupção escolar, baixos níveis de aprendizagem, informalidade e acesso restrito ao trabalho digno. Para os pesquisadores, a combinação desses fatores aprofunda desigualdades estruturais e limita perspectivas de futuro. — Por trás dos indicadores existem trajetórias reais, sonhos interrompidos e desafios cotidianos muitas vezes atravessados por desigualdades persistentes. Ao escutar os jovens e reunir evidências sobre diferentes perfis de juventudes brasileiras, buscamos contribuir para que políticas públicas sejam construídas considerando suas vozes, suas experiências e suas especificidades — explica Rosalina Soares, superintendente de conhecimento da Fundação Roberto Marinho. Uma das histórias contadas é de um jovem negro de 29 anos, morador do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro (RJ). “Fui um jovem, assim como tantos outros, com poucas referências de sucesso e mobilidade social na minha favela de origem, principalmente no que se refere a homens negros. A maior perspectiva era concluir o ensino médio e conseguir um trabalho que garantisse viver com dignidade. Não havia planos de ascensão”, escreveu. Desigualdades estruturais O estudo aponta que raça e condição socioeconômica são fatores centrais para compreender as desigualdades enfrentadas pelas juventudes brasileiras. Pesquisas do IBGE apontam que entre os jovens em extrema pobreza, 74,9% são negros, enquanto mulheres negras representam 40% da juventude pobre do país. São marcadores sociais que se traduzem em obstáculos concretos no cotidiano: dificuldade de acesso à internet, longos deslocamentos, necessidade de conciliar estudo e trabalho e inserção precoce e em ocupações precárias. A violência também afeta de forma desigual essa população. Jovens negros são vítimas de violência urbana em proporção quatro vezes maior do que jovens brancos. O estudo também alerta para a exposição da população indígena a múltiplas formas de violência. Nesse grupo, a taxa de suicídio chega a ser oito vezes maior do que entre jovens brancos e negros. Entre os quilombolas, a publicação destaca avanços na educação, como o crescimento de 57% nas matrículas do ensino médio em escolas quilombolas entre 2014 e 2024. Ainda assim, segundo o Censo Escolar, cerca de 30% dos estudantes apresentam atraso escolar, acima da média nacional de 17,8%. No caso das juventudes rurais, o levantamento mostra indicadores mais críticos de exclusão escolar e precarização do trabalho. Enquanto 33% dos jovens do campo estão fora da escola sem concluir a educação básica, nas áreas urbanas o índice é de 16,5%. A informalidade também é maior: atinge 69% das juventudes rurais, contra 41% entre jovens urbanos. Marcadores sociais e a educação pública O documento reforça o papel da escola pública como espaço de proteção, aprendizagem e construção de projetos de vida. No entanto, aponta que diferentes grupos ainda enfrentam barreiras para permanecer na escola e acessar oportunidades educacionais. Estudantes da rede pública, majoritariamente pretos, pardos e de baixa renda, concentram piores indicadores de aprendizagem, maiores taxas de insucesso escolar e elevada distorção idade-série em comparação aos alunos da rede privada. Para os pesquisadores, essas condições comprometem as perspectivas de futuro dessas juventudes, diante da relação direta entre escolaridade, inclusão produtiva e renda. — Os dados evidenciam como as desigualdades sociais ainda impactam o acesso, a permanência e as perspectivas de futuro de muitos jovens brasileiros. Por isso, investir em Educação Profissional e Tecnológica é essencial para ampliar oportunidades, desenvolver competências para o mundo do trabalho e permitir que essas juventudes construam novos projetos de vida e mobilidade social” — afirma Cacau Lopes da Silva, gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Implementação do Itaú Educação e Trabalho. A publicação também destaca que as trajetórias escolares de jovens LGBTQIAPN+ são frequentemente marcadas por agressões verbais, físicas e casos de cyberbullying, fatores que impactam diretamente a permanência escolar e, posteriormente, a inserção profissional. Os pesquisadores chamam atenção para a escassez de dados oficiais sobre essa população, o que dificulta a formulação e o monitoramento de políticas públicas. Outro recorte do estudo chama atenção que mais da metade dos adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa (57,7%) ainda está no ensino fundamental, embora a maioria já tenha idade para cursar o ensino médio. Os dados também apontam para a persistência do trabalho infantil. É um grupo que apresenta maior exclusão escolar, menor frequência e mais dificuldades de aprendizagem, além de estarem mais expostos a diversas formas de exploração e de violência. — Há uma diversidade de juventudes, com características específicas, que merece mais atenção, e este estudo é muito importante por dar visibilidade a 13 desses grupos. Somente com esse olhar direcionado poderemos avançar, de forma estrutural, rumo a mais justiça social e ampliação de oportunidades para os jovens — disse Ernesto Martins Faria, diretor-fundador do Iede.
Estudo inédito mostra como desigualdades comprometem o acesso a direitos e oportunidades
Material reúne análise de especialistas sobre educação e trabalho de 13 perfis de juventudes vulneráveis











