Pnad Educação, do IBGE, também mostra que trabalho e falta de interesse nos estudos são os principais motivos para tirar jovens de 14 a 29 anos das salas de aula 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Creche no Rio — Foto: Guito Moreto RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/06/2026 - 22:36 Educação: Redução na falta de vagas em creches e analfabetismo A proporção de crianças de 2 e 3 anos fora da creche por falta de vagas caiu para 33% em 2025, segundo a Pnad Educação do IBGE. O Norte é a região mais impactada, com 44% fora da creche. Para jovens de 14 a 29 anos, trabalho e falta de interesse são as principais razões para abandono escolar. A taxa de analfabetismo caiu para 4,9%, a menor desde 2016. Além disso, 17,5% dos jovens não estudam nem trabalham, uma redução significativa desde 2019. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A proporção de crianças de 2 e 3 anos — principal grupo da creche — fora da escola caiu pela primeira vez desde 2019. Até 2024, esse patamar flutuou por volta de 39%. No ano passado, caiu para 33%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Educação de 2025, divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao GLOBO, a gerente de políticas educacionais da organização Todos Pela Educação, Manoela Miranda, afirmou que, embora haja avanço, ele ainda é tímido: — O novo Plano Nacional de Educação tem como meta 60% das crianças de 0 a 3 anos matriculadas na educação infantil e com esse ritmo a gente não chega lá. A creche é uma etapa fundamental para o desenvolvimento das crianças no Brasil e o ritmo ainda tá aquém do esperado. O principal motivo para não frequentar a creche segue sendo "opção dos pais e responsáveis". Essa foi a explicação apresentada por 57% dos pais de crianças de 2 a 3 anos. Eles só são obrigados a matricular os filhos na pré-escola, a partir dos 4 anos. No entanto, têm o direito de conseguir uma vaga em instituição pública caso desejem. É fundamental que as secretarias das cidades divulguem as informações sobre a disponibilidade de vagas em creches, segundo Miranda. A gerente ainda aponta para a importância da educação infantil para o desenvolvimento da criança, diz que esta etapa ajuda no aprimoramento cognitivo e emocional e também social, já que isto "afeta a criança pelo resto da vida". O Norte é a região com maior dificuldade de atendimento. Segundo a Pnad Educação, 44% dos pais relataram não colocar a criança na creche por falta de vaga. No Centro-Oeste, esse patamar cai para 26,7%. No Sudeste, são 27%; no Sul, 33,3%; e, no Nordeste, 37,2%. — Essas diferenças regionais são históricas. A gente tem claramente uma questão no norte da Amazônia que por muitas vezes não tem acesso ao serviço público perto da moradia ou mesmo ao transporte. Tem crianças ali na região norte que para chegar na escola levam duas horas, às vezes precisam pegar transporte de barco — explica Miranda, afirmando: — É muito importante que quando a gente fale em expansão de vaga em creche no Brasil, que a gente olhe para as particularidades dos territórios. A pesquisa também investiga os principais motivos para que adultos de 14 a 29 anos não tenham completado a educação básica — um grupo formado por 7,7 milhões de brasileiros nesta faixa etária. Entre os homens, a principal causa para o abandono escolar é a necessidade de trabalhar (54,2%), seguido pela falta de interesse nos estudos (28%). Já entre as mulheres, também é relevante o grupo que parou por conta da gravidez (24,7% das meninas). O trabalho tirou 26,2% das jovens das salas de aulas e a falta de interesse, 21,9%. Manoela afirma que a escola deve "fazer sentido para os jovens". Ela analtece programas de incentivo à permanência, como o Pé de Meia, lançado em 2024 pelo Governo Federal, mas diz que as aulas de algumas disciplinas já não fazem mais sentido para a faixa etária e não estão conectadas com os anseios dos jovens para o futuro profissional, "seja no ensino técnico ou mesmo no empreendedorismo". Veja os destaques do IBGE O país tinha 8,4 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais em 2025, o que corresponde a uma taxa de analfabetismo de 4,9%. É a primeira vez que a taxa de analfabetismo fica abaixo de 5% desde 2016.Mais da metade dos analfabetos (4,8 milhões de pessoas) estava no Nordeste, com uma taxa de 10,6%.A população com 60 anos ou mais era mais da metade (58%) do total de analfabetos em 2025. Eram 4,9 milhões de pessoas que não sabiam ler e escrever um bilhete simples.Ainda na população com 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo das mulheres (13,7%) passou a ser menor que a dos homens (14,1%) pela primeira vez. Já a taxa de analfabetismo de pretos ou pardos (20,6%) era quase três vezes superior à de brancos (7,3%) nesse grupo etário.Sem considerar a população idosa, a taxa de analfabetismo caiu para 2,6% entre pessoas de 15 a 59 anos.Pela primeira vez, mais da metade de pretos ou pardos com 25 anos ou mais (51,3%) tem o ensino médio completo.No Norte, 35,2% dos bebês de 0 a 1 ano e 44,5% das crianças de 2 a 3 anos estavam fora da creche por falta de escola/creche na localidade, falta de vaga ou a não aceitação da matrícula por causa da idade da criança. No Nordeste, os percentuais foram 36,1% e 37,2%, respectivamente.Proporção de crianças de 6 a 14 anos na etapa ideal (ensino fundamental) bate meta (96,1%) do Plano Nacional de Educação (PNE), mas não retorna aos níveis pré-pandemia.Homens (77,4%) e pessoas pretas ou pardas (77,8%) de 15 a 17 anos têm menos frequência no ensino médio do que mulheres (84%) e pessoas brancas (84,9%).Proporção de brancos de 18 a 24 anos com nível superior e que não frequenta instituição de ensino (6,2%) é mais que o dobro de pretos ou pardos (3,0%)Maiores percentuais de abandono escolar ocorrem a partir dos 16 anos: 18,5% deixaram a escola nessa idade, 20,0% aos 17 anos e 17,6% aos 18 anos.Um em cada quatro jovens (25,6%) de 14 a 29 anos não tem interesse em estudar.Trabalho (26,2%) e gravidez (24,7%) são principais motivos para mulheres de 14 a 29 anos abandonarem estudos.O Brasil tinha 46,6 milhões de jovens com 15 a 29 anos de idade em 2025, e 17,5% deles não estavam trabalhando, não estudavam no ensino regular e nem frequentavam algum curso de qualificação profissional. Essa proporção recuou 4,9 pontos percentuais (p.p.) frente a 2019, quando 22,4% dos jovens do país não trabalhavam, nem estudavam ou se qualificavam.Frente a 2024, quando 18,2% dos jovens do país estavam naquela condição de trabalho e estudo, houve redução de 0,7 p.p.O total de jovens que não estavam ocupados, não estudavam e nem se qualificavam caiu de 11,0 milhões em 2019 para 8,2 milhões em 2025, uma redução de 25,9%, no período. Frente a 2024, quando havia 8,6 milhões de jovens nessa condição, a queda foi de 4,8%.Cerca de 22,8% das mulheres jovens não estavam ocupadas, nem estudando ou se qualificando, enquanto entre os homens, esse percentual foi quase a metade: 12,4%.O percentual de jovens pretos ou pardos (19,8%) que não estudavam e não estavam ocupados nem se qualificando foi 5,8 p.p. maior que o de jovens brancos (14,0%) na mesma condição.Em 2025, cerca de 14,2% da população com 14 anos ou mais (ou 24,8 milhões) frequentaram algum curso de qualificação profissional