Número de adultos com níveis precários de escolaridade vem caindo ano a ano no Brasil, mas não por políticas públicas educacionais para jovens e adultos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Aluna de EJA acompanha aulas — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 12/07/2026 - 20:55 Redução de Adultos sem Ensino Médio no Brasil é Acelerada pela Mortalidade O número de adultos com baixa escolaridade no Brasil está diminuindo, mas não devido a políticas públicas eficazes. Esse declínio é impulsionado pela mortalidade dos mais velhos, cujos níveis educacionais são geralmente inferiores. Relatório recente destaca que, entre 2012 e 2025, a população sem ensino médio caiu de 75 para 64 milhões, mas 51% dessa redução se deve à mortalidade. A educação regular e exames como o Enceja contribuem, mas são insuficientes para resolver o déficit educacional. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O número de adultos com níveis precários de escolaridade vem caindo ano a ano no Brasil. Olhando de forma superficial, é uma notícia positiva. Só que o principal motor dessa melhoria não é o avanço de políticas públicas educacionais para jovens e adultos ao longo dos anos, mas sim a simples passagem do tempo. Como os indicadores de escolaridade são piores entre os mais velhos — que tiveram menos acesso à escola no passado —, à medida que a mortalidade naturalmente ocorre nesse grupo geracional, a média de anos de estudo de toda a população cresce. É, basicamente, um efeito de inércia demográfica. Este diagnóstico aparece no relatório “Demanda Potencial por EJA e Transição para o Trabalho”, divulgado na semana passada no evento de lançamento da Rede EJA e Inclusão Produtiva, iniciativa formada por 16 instituições da sociedade civil e organismos multilaterais. Entre 2012 e 2025, o total de jovens e adultos que não completaram o ensino médio caiu de 75 milhões para 64 milhões, o que representa 37% da população de 15 anos ou mais. O estudo mostra, porém, que a mortalidade dos mais velhos explica 51% dessa queda. Os demais fatores identificados foram a matrícula na escola regular (23%), a conquista da certificação por meio de exames como o Enceja (17%) e, por fim, o acesso à Educação de Jovens e Adultos (8%). É positivo identificar que gerações mais novas apresentam níveis de escolaridade melhores, fenômeno explicado pela ampliação do acesso à escola regular. Mas essa expansão não foi suficiente para zerar o déficit de escolaridade precária, resultando nos 64 milhões de brasileiros sem o ensino médio completo, que formam o público-alvo potencial da Educação de Jovens e Adultos. É preciso, porém, reconhecer que trazê-los de volta à escola é uma tarefa muito mais desafiadora do que com crianças e jovens. No entanto, os dados apresentados no relatório mostram que essa população está envelhecendo e morrendo antes de ser alcançada pelas políticas públicas. Isso traz variados prejuízos, inclusive econômicos, estimados no estudo em R$ 66 bilhões por ano em renda perdida. Avançando numa camada ainda mais profunda, vemos que o problema da escolaridade precária não se limita àqueles que sequer completaram a educação básica. Dados do Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional mostram que, mesmo entre os brasileiros que ao menos ingressaram no ensino médio ou o completaram, 17% são considerados analfabetos funcionais e 45% apresentam proficiência apenas elementar. Não significa que estudar tenha sido inútil (esses percentuais são bem piores entre aqueles que pararam em etapas anteriores), mas foi certamente insuficiente para adquirir as competências mínimas necessárias para o trabalho e o exercício da cidadania. Garantir acesso, permanência e aprendizagem de todos os alunos na educação básica, avançando ao mesmo tempo na cobertura da Educação de Jovens e Adultos, são tarefas urgentes do campo educacional. No entanto, como argumenta o economista Ricardo Henriques num dos artigos do livro “Utopia Pragmática”, a requalificação de adultos precisa ir além da escola, envolvendo também o setor produtivo, já que a maioria dos jovens e adultos não tem mais como referência principal a escola ou universidade. O agravante é que países ricos têm — conforme demonstram estudos citados no texto de Henriques — investido mais na requalificação de sua força de trabalho em comparação com as nações em desenvolvimento. E algo semelhante ocorre internamente: trabalhadores de menor renda e escolaridade são também aqueles com menor acesso a oportunidades de requalificação.