Evasão escolar no ensino médio continua preocupante, apesar dos progressos O Brasil vence aos poucos o desafio de pôr crianças e jovens nas escolas, embora persistam gargalos importantes a ser removidos. O analfabetismo caiu a menos de 5% (4,9%) de 2016 a 2025, segundo a Pnad Contínua Educação do IBGE, embora, pelas metas do Plano Nacional de Educação, o problema deveria ter sido erradicado em 2024. O número dos jovens de 15 a 29 anos que não estudam nem trabalham apresentou quedas importantes nesse período, mas a proporção continua bem acima da média internacional. Na educação infantil, faltam creches. O desafio da universalização se concretiza aos poucos, apesar de deixar a população negra ou parda bem atrás da branca, e o da qualidade da educação tornou-se um problema crônico, como revelam os testes internacionais. A evasão escolar no ensino médio continua preocupante, apesar dos progressos. Pelo menos 8,1 milhões de jovens, ou 17,6% da população nessa faixa etária, deixaram de estudar e não trabalham, contra 22,4% de 2016. A baixa escolaridade se revela com força na faixa de 25 anos ou mais, em que a maioria trabalha. Pouco mais de um quarto dessas pessoas (25,56%) não tem o ensino fundamental completo. Já foi muito pior: eram 33,3% há 9 anos. Pouco mais da metade, ou 57,4%, concluiu o ensino básico obrigatório, com avanço significativo em relação a 2016, quando 46% estavam nessa situação. Há ainda 7,7 milhões de pessoas no grupo de 14 a 29 anos que não haviam completado o ensino médio por terem abandonado a escola ou mesmo nunca estudado. A maioria dos que tomaram esse caminho são homens (59,8%) e 40,2%, mulheres. Há uma enorme diferença relacionada à cor: quase 3 em cada 4 pretos ou pardos deixaram a escola, ante apenas 26,4% de brancos. Essa é uma tragédia que acompanhará esse estrato populacional ao longo da vida, pois alguém menos educado terá sempre remuneração inferior e postos de pior qualidade pela frente. Os motivos do abandono diferem, mas entre os homens o mais citado foi a necessidade de trabalhar. Entre as mulheres esse também foi o motivo principal, mas secundado de perto pela gravidez e, em menor escala, pela necessidade de realizar afazeres domésticos e cuidar de pessoas. Para além da condição econômica, as responsabilidades reprodutivas e domésticas ainda figuram entre os principais entraves à permanência das mulheres jovens na escola, registra o relatório do IBGE. Um mau presságio, porém, é o segundo motivo dado para o abandono da escola: falta de interesse por estudar. Havia alguma queda de 2019 a 2024 no percentual de citações, mas houve aumento para 25,6% dos casos, podendo sinalizar, segundo o IBGE, "um desalinhamento entre as expectativas dos jovens e o modelo educacional". Um dos meios de trazer esses jovens de 14 a 29 anos de volta para a escola seria o ensino técnico médio, que, no entanto, progride devagar. Em 2025, havia 8,9 milhões de estudantes do ensino médio, e, deles, 8,8% faziam curso técnico de nível médio ou curso para magistério, um avanço diante dos 7% observados em 2019. Em números, o ensino médio técnico chegou a 787 mil pessoas, 21,5% superior ao de 2019 (eram então 648 mil pessoas). Dos 57,3 milhões de pessoas de 14 anos ou mais de idade que tinham o ensino médio completo e atendiam requisitos mínimos para curso de educação profissional técnica de nível médio, 5,6% o frequentavam e 9,2% terminaram-no. O percentual de pessoas que concluíram a modalidade, no entanto, era maior em 2019: 12%. As mulheres superaram os homens no contingente dos que chegaram ao fim do ensino técnico médio - 2,7 milhões ante 2,5 milhões, ou 51,8% ante 48,2%. Outra deficiência importante reside na primeira educação infantil, e, nela, em creches (0 a 3 anos). A porcentagem de infantes na pré-escola (de 4 a 5 anos) chegou a 94,9%, fatia que está perto da satisfatória. A cobertura educacional para crianças de 2 a 3 anos atingiu 62,9%, com avanço de 13%. Segundo o IBGE, o PNE previa que pelo menos 50% das crianças de 0 a 3 anos de idade frequentassem creche, mas a meta "não foi atingida em nenhuma das grandes regiões do país". As taxas médias de escolarização infantil variaram de 23,9% no Norte a 47,8% no Sudeste. Houve redução do analfabetismo, diminuição da população com o fundamental incompleto e aumento dos que terminaram curso superior, mas os números quantitativos não contam toda a história. A educação pública é ruim, a formação dos professores é deficiente, os salários não são bons e as escolas estão frequentemente desaparelhadas para uma educação que possa ter algo parecido com um bom nível. As escolas técnicas precisam ser incentivadas para combater o abandono escolar, ainda muito grande (superior à média dos países da OCDE, de 13,8% em 2024). Embora faltem recursos, esse não é o fator determinante para melhorar a qualidade do ensino. Um primeiro passo básico seria melhorar a gestão das escolas, como demonstram os exemplos de Ceará e Pernambuco, com bons resultados.