Fator é o segundo mais importante para abandono escolar meninas e mulheres de 14 a 29 anos, atrás só de necessidade de trabalhar Grávida Gravidez adolescência adolescente escola aluno aluna — Foto: Pixabay A gravidez é o segundo principal motivo para meninas e mulheres de 14 a 29 anos deixarem de estudar, atrás apenas da necessidade de trabalhar. Em 2025, 24,7% do grupo nessa faixa etária que tinha nível de instrução inferior ao ensino médio citaram a razão para justificar o abandono escolar, pouco abaixo dos 26,2% dos que justificam pelo fato de que precisam trabalhar. Outras 8,6% mencionaram afazeres domésticos e cuidados de pessoas. Entre os meninos e homens nesse perfil, 54,2% disseram que abandonaram os estudos para trabalhar e apenas 0,7% falaram de tarefas domésticas e de cuidado. As informações são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua: Educação 2025, que mede indicadores como analfabetismo, nível de instrução e taxa de escolarização, entre outros. “Os dados mostram que os motivos para abandono escolar diferem muito entre homens e mulheres. Em ambos os casos a questão do trabalho lidera, mas entre as mulheres estar grávida e a necessidade de afazeres domésticos e cuidar de pessoas se destacam. Ao mesmo tempo, entre os homens é maior a parcela de quem não vê importância de continuar estudando”, afirma o analista da pesquisa, William Kratochwill. Entre os homens, a falta de interesse em estudar foi a segunda razão mais citada por quem abandonou a escola antes de completar o ensino médio, com 28% do total em 2025, ante 32,2% em 2019. Entre as mulheres, 21,9% delas mencionam a falta de interesse no estudo. A necessidade de cuidados com a casa ou com outras pessoas é um fator que se destaca entre as mulheres também para justificar o fato de não trabalharem ou não se qualificarem, na faixa de 15 a 29 anos, com uma parcela de 34,7% no grupo até o ensino médio incompleto e de 14% do ensino médio completo até superior completo. Entre os homens, essas fatias são de apenas 0,6% e 0,3%, respectivamente. Os dados refletem a tradicional divisão de papéis na sociedade em função do gênero. O país tinha, em 2025, 46,6 milhões de pessoas entre 15 a 29 anos. Desse grupo, 17,5% não estudavam nem trabalhavam – que já foram chamados de nem-nem, mas cujo termo agora é evitado para evitar o estigma. O percentual é inferior ao dos 22,4% de 2019, mas o país ainda tem 8,164 milhões de pessoas nesta situação. A ocorrência dos nem-nem é maior entre mulheres – envolvidas com gravidez e tarefas de cuidados – e também entre pretos e pardos. Em 2025, entre as mulheres, o percentual era de 22,8%, 5,7 pontos percentuais abaixo dos 28,5% de 2019. Entre pretos e pardos, a participação caiu de 25,7% em 2019 para 18,9% em 2025. William Kratochwill explica que a parcela de quem não estuda nem trabalha vem diminuindo, como reflexo do desenvolvimento e da expansão do mercado de trabalho. “A maior queda se dá entre mulheres e pretos e pardos, apesar de a ocorrência ainda ser maior. Entre as mulheres há a questão do cuidado. Entre pretos e pardos, uma possibilidade é a questão do desalento. O nível médio de instrução é menor, o que pode aumentar a percepção da dificuldade de se inserir no mercado de trabalho”, diz o analista da pesquisa.