Em 20 anos de carreira, a jornalista Joyce Ribeiro reportou inúmeras notícias sobre gravidez na adolescência. A cada novo dado, com diferença de um ou cinco anos, ela percebia a falta de avanços.

Eram esses dados que vinham à sua mente, diz, quando meninas adolescentes perguntavam o que poderiam fazer para chegar ao mesmo lugar que ela profissionalmente. Joyce se tornou a primeira mulher negra a apresentar sozinha um jornal diário em horário nobre em 2018 e hoje apresenta o Jornal da Tarde com Aldo Quiroga, ambos na TV Cultura.

Para que as meninas alcançassem esse sucesso, diz, ela respondia que era necessário um foco total na educação, e acrescentava: "Não ter uma família com 16 anos". Antecipar essa gravidez iria dificultar um cenário já muito difícil, especificamente para mulheres negras e vulnerabilizadas, afirma Joyce, escritora do livro "Nem cresci e já sou mãe: relatos sobre gravidez na adolescência".

A obra, lançada em junho, reúne dados para mostrar que a gravidez na adolescência não é uma falha individual das meninas. É um reflexo de vulnerabilidades sociais, raciais e de gênero que mantêm meninas e mulheres, principalmente negras, em um ciclo de pobreza.

Segundo o IBGE, 7 em cada 10 mães adolescentes são negras, e 6 em cada 10 não trabalham nem estudam.