A gravidez na adolescência é um dos sérios problemas que o Brasil precisa enfrentar. Seja pela falta de educação sexual, o número absurdo de violência sexual contra meninas e adolescentes, seja pelo fato de o Brasil ser o quarto país do mundo em casamento infantil. Depois das restrições impostas pelo Congresso Nacional ao acesso ao aborto legal, o que sempre foi ruim conseguiu piorar.
Nesse contexto, o livro "Nem Cresci e já Sou Mãe: Relatos sobre Gravidez na Adolescência", publicado recentemente pela jornalista Joyce Ribeiro, pela Geração Editorial, chega em excelente hora. Ao longo de três anos e dezenas de entrevistas, a autora ouviu meninas que interromperam a infância e a juventude para se tornarem mães. São muitas as jovens que passam a sofrer discriminação dentro da própria família, enquanto os rapazes e homens envolvidos seguem suas vidas como se nada tivesse acontecido.
Dados de 2025 do Sistema Nacional de Nascidos Vivos, do Ministério da Saúde, mostram que 274,4 mil bebês nasceram de mães menores de 18 anos, o que corresponde a 11,3% dos nascimentos no ano. Em média, são cerca de 22 mil bebês gerados por mês por meninas e adolescentes no país. Trata-se do menor número da série histórica, mas ainda assim de uma calamidade pública com impactos incontornáveis nas vidas dessas meninas.






