A forma como o governo se comportou no mais recente episódio de tarifaço é uma aula de por que o Brasil cresce pouco e permanece desigual.

Como destacado por Lourival Santana, em sua última coluna no Estado de São Paulo, a pressão feita pelos Estados Unidos seria uma oportunidade para o governo quebrar resistências internas e abrir alguns setores superprotegidos, viabilizando uma economia mais dinâmica.

Há mais de sete décadas os brasileiros são reféns dos lobbies de indústrias de bens de capital, automóveis, aço, química, bens de informática e telecomunicações, entre outras. Elas conseguem alta proteção comercial, garantindo lucros extraordinários e mantendo-se vivas, apesar de sua baixa competitividade.

Essa proteção concentra renda e derruba a produtividade e competitividade externa das empresas nacionais que têm que comprar insumos e bens de capital caros e, muitas vezes, de pior qualidade, produzidos pelos fabricantes nacionais protegidos.

É impossível proteger todos os setores ao mesmo tempo: a proteção que dou ao fornecedor de um insumo é uma desproteção criada ao comprador desse insumo.