O tarifaço de 25%, que passará a vigorar no próximo dia 22, é apenas uma de um conjunto de pressões do governo Trump cujo objetivo é arrancar concessões do Brasil que ultrapassam a área comercial.PUBLICIDADEÉ o que vêm reiterando não apenas o representante da Casa Branca para o comércio exterior, Jamieson Greer, mas outras autoridades do governo dos Estados Unidos (e não só para o Brasil), sob a política do Maga, Make America Great Again.Quaisquer que sejam elas, as concessões pressupõem capacidade de negociação, e esse é um enorme ponto fraco do Brasil, uma vez que enfrenta sérios entraves estruturais. É como pretender ganhar a Copa do Mundo com um meio de campo fraco, metade dos titulares contundidos, outros com força física insuficiente e falta de estratégia de jogo.De longe, a maior debilidade que pesa sobre o poder de barganha do Brasil é fiscal. O rombo vai-se alargando, a dívida pública ultrapassou 81% do PIB e avança à proporção de 4% ao ano. É situação que trabalha frontalmente contra a política do Banco Central, que se vê obrigado a puxar os juros para a enormidade que aí está, sem conseguir dar conta da inflação. Juros exorbitantes, por sua vez, além de pesar sobre os custos de produção, aumentam substancialmente a dívida à medida que o Tesouro incorpora os juros ao principal. O risco é o da chamada dominância fiscal, que acontece quando a política de juros perde eficácia diante do naufrágio das contas públicas.PublicidadeEsta não é uma pinimba de ortodoxos. Qualquer que seja a política do governo, ponha ela ênfase no social ou no liberal, sua eficácia depende do equilíbrio das contas.Deterioração fiscal, inflação e juros na lua deixam o governo politicamente frágil. E não se trata apenas da perda do comando sobre a execução orçamentária, hoje arrebatada pelos políticos. Fragilidades institucionais do Brasil são uma das brechas exploradas por Trump contra Lula Foto: Ricardo Stuckert/PRA fragilidade do governo é mostrada também pela crescente tomada dos organismos de Estado e do monopólio da força pelo crime organizado e pela incapacidade das instituições de defesa de lutarem contra elas. Esta é uma das rachaduras pelas quais o governo Trump investe contra o governo do Brasil.Se o tema é falta de poder de barganha do Brasil nesse jogo duro, é preciso repisar em outra séria debilidade, que é a excessiva proteção dada ao setor produtivo local.Subsídios demais, leniência atroz com os calotes nos impostos, altas taxas alfandegárias, defesa de monopólios e de mercados cativos, corrupção e, enfim, o alto custo Brasil, tudo isso concorre para a baixa competitividade do setor produtivo e para a redução do poder de barganha do País.Publicidade
Opinião | Entenda por que o Brasil tem baixo poder de barganha nas negociações com os EUA
Deterioração fiscal, inflação e juros altos deixam o governo politicamente frágil; o problema não se resume à perda do comando sobre a execução orçamentária, hoje arrebatada pelos políticos
















