É inútil buscar justificativas técnicas contra ou a favor do tarifaço que o presidente Trump deverá impor ao Brasil.PUBLICIDADENa quarta-feira, 15, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) deu por encerradas as investigações sobre práticas supostamente desleais adotadas no comércio exterior pelo Brasil contra os interesses dos Estados Unidos.Por disposição constitucional, nos Estados Unidos, a política de comércio exterior é prerrogativa do Congresso. Assim, o USTR (United States Trade Representative) é o organismo ligado à presidência dos Estados Unidos que faz a ponte com o Congresso para tratar desses assuntos.Governo Trump ameaçou com uma tarifa adicional de 12,5% ao Brasil por importar bens produzidos e serviços prestados por mão de obra que opera no exterior em regimes análogos à da escravidão Foto: Saul Loeb/AFPEm junho, o USTR propôs uma tarifa aduaneira (imposto de importação) geral de 25% sobre importação de produtos brasileiros, sob a justificativa de que era preciso compensar e inibir práticas desleais do Brasil que punem o setor produtivo e o comércio exterior dos Estados Unidos.Além dessa tarifa de 25%, o governo Trump ameaçou com um adicional de 12,5% a título de sanção ao Brasil por importar bens produzidos e serviços prestados por mão de obra que opera no exterior em regimes análogos à da escravidão. PublicidadeNão se sabe se uma terceira classe de castigo comercial será imposto porque o governo dos Estados Unidos também considera a disseminação do Pix como prática de concorrência predatória aos cartões de crédito administrados por empresas norte-americanas.O governo brasileiro esgotou a argumentação técnica que repele essas acusações. Como a decisão final é essencialmente de natureza política, o que o governo brasileiro ainda poderia fazer seria negociar o aumento da lista de exceções aos itens atingidos pelo tarifaço. O USTR já prevê a exclusão de produtos e serviços básicos cuja taxação produziria encarecimento indesejado pelos Estados Unidos. Entre eles, estão produtos agropecuários, minerais estratégicos, fertilizantes, aviões e peças de aviões. Há evidente viés ideológico nesse novo tarifaço. Impossível saber agora quanto uma vitória das forças de direita nas próximas eleições no Brasil manteriam esse castigo.O caráter discricionário desse tarifaço torna dispensável o esperneio do governo brasileiro. O que se apresenta como mais urgente do ponto de vista do País é a diversificação do mercado exterior para deixar o produto aqui fabricado menos dependente do mercado dos Estados Unidos, responsável por cerca de 20% das exportações do Brasil.PublicidadeIsso implica a necessidade de intensificar as negociações por novos acordos comerciais. Em consequência, será preciso admitir maior participação dos produtos de fora nas importações do Brasil. Daí porque será preciso intensificar a defesa do livre mercado e o abandono de práticas protecionistas tão arraigadas aos governos do Brasil.