Escritório do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos), responsável pela aplicação do tarifaço contra o Brasil — Foto: Reprodução/USTR O governo brasileiro classificou na madrugada desta quinta-feira (16) como “um marco lastimável” a imposição das tarifas de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos exportados pelo Brasil. Além disso, afirmou que “iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade”. A tarifa foi anunciada no começo desta quinta-feira pelo governo americano. “O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”, diz o comunicado da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. O governo brasileiro afirma que “não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país”, já que, segundo estatísticas do próprio governo americano, os Estados Unidos acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil. Além disso, no ano passado 76% das importações originários dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagar imposto de importação. “Nas audiências públicas promovidas pelo USTR (sigla em inglês para Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) na semana passada, 63 das 78 intervenções feitas por representantes do setor privado brasileiro e norte-americano foram contrárias ao tarifaço”, diz. No comunicado, o governo brasileiro garante que “seguirá adotando medidas para reduzir os danos causados à economia” e buscando “diversificar parcerias comerciais e a abrir novos mercados para nossos produtos, como fizemos ao firmar acordos do Mercosul com a União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio e Cingapura”. Além disso, por meio do Plano Brasil Soberano - lançado no ano passado para mitigar os efeitos econômicos do primeiro tarifaço dos Estados Unidos -, manterá “medidas de proteção aos setores afetados por tarifas ilegais e arbitrariamente impostas” pelos Estados Unidos, “preservando empregos e a capacidade produtiva nacional”. Também “iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias” da Organização Mundial do Comércio (OMC). O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda atribui o tarifaço ao “enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro”. “São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros”, diz a nota. “Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições. Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la.”
Tarifaço: Governo brasileiro fala em ‘marco lastimável’ e promete reciprocidade e ação na OMC
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