"Por que a gente não aprende?". O economista Arminio Fraga repetiu angustiado essa indagação ao longo da entrevista recente com o colega Marcos Lisboa. Por que recorrentemente um braço do governo atiça o crédito e expande o gasto enquanto o outro levanta os juros? Por que a teima em desprezar as melhores evidências nos assuntos públicos? Por que tudo para já e para mim se o futuro é logo ali e para todos?
A capacidade coletiva de aprender parece relacionada ao desenvolvimento das nações. As organizações civis e estatais, que têm pretensão de durar para sempre, chocam-se amiúde com incidentes no curso de sua trajetória secular. Fome, revolta, peste, crise econômica, guerra e mudanças nos hábitos, nas ideias, nas tecnologias ou no clima as desafiam a adaptar-se. Como nem sempre o conjunto de crenças que trazem do passado produz respostas emancipatórias, muitas não escapam da gaiola da estagnação.
Financiar a guerra ou capturar os ganhos do comércio ultramarino? Conta Thales Zamberlan Pereira em sua tese de doutoramento que, na virada do século 18 para o 19, o algodão plantado no Maranhão e em Pernambuco chegava à Grã Bretanha com bonificação de preço em relação ao produto de outras regiões fornecedoras. A fibra nordestina adaptava-se melhor às máquinas de fiar que impulsionavam a Revolução Industrial. Exportações brasileiras chegaram a representar 40% dos desembarques de algodão pelo porto de Liverpool e seu valor superou por anos o da manufatura têxtil inglesa vendida ao Brasil.







