O Brasil, assim como os demais países, enfrenta enormes desafios advindos do quadro internacional complexo e incerto, os quais trataremos na sequência. A este fator se acrescenta a inconstância de políticas de longo prazo. Os avanços obtidos no período 2003–2014, governos Lula I e II, e Dilma I e II, o último interrompido, foram descontinuados no período seguinte de Temer e Bolsonaro. O governo Lula III tem desenvolvido importante esforço de reconstituição das instituições democráticas e a retomada do papel do Estado, das políticas públicas para o desenvolvimento.

Dentre os desafios impostos pelo cenário internacional destacam-se os efeitos prevalentes pós-Pandemia da ­Covid-19, com impactos significativos na desorganização das cadeias internacionais de suprimentos, também impactadas pelas guerras da Rússia e Ucrânia, Israel e Hamas, e EUA e Irã, assim como os desdobramentos da crise climática e a disputa comercial, a partir das decisões do presidente norte-americano em relação à imposição de tarifas e desordem dos órgãos multilaterais de comércio.

Esse conjunto de fatores impõe uma ruptura dos preceitos da globalização pós-anos 1990 e até então em curso na economia mundial. Após a vigência da visão liberal focada na redução de custos, via internacionalização da produção, está em curso, no fim da segunda década e início da terceira do século XXI, um novo conceito de localização das plantas produtivas, levando em conta os aspectos logísticos e de segurança de fornecimento. Fatores como a revisão da localização da produção e da proximidade dos fornecedores (reshoring e nearshoring) e as questões geopolíticas (friendshoring) visam a minimizar os riscos de descontinuidade do processo produtivo, como o ocorrido recentemente com os insumos fármaco-químicos (IFAs) e Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), na ­Covid-19, e, mais recentemente, com os semicondutores (chips).