‘O Brasil só muda quando põe o pé no abismo’, diz José Roberto Mendonça de BarrosEconomista participou do 'Brasil 2027', programa do Estadão que discute caminhos para o País no próximo ciclo de governo. Crédito: TV EstadãoÀs vésperas das eleições, o Brasil enfrenta crises institucional e moral, segundo a economista Elena Landau e o economista José Roberto Mendonça de Barros, em debate do Estadão. A fragilidade institucional desestimula investidores, favorecendo grupos influentes e dificultando novos investimentos, especialmente em infraestrutura. Mendonça de Barros alerta para o esgotamento econômico e a necessidade de ajuste fiscal. O capital estrangeiro pode ser crucial, mas enfrenta riscos institucionais e econômicos.O Brasil enfrenta uma combinação de crise institucional com uma crise moral, às vésperas das eleições, afirma a economista e advogada Elena Landau, que participou, ao lado do economista e sócio da MB Associados José Roberto Mendonça de Barros, do quarto debate promovido pelo Estadão para discutir os desafios econômicos do próximo governo.Isso é um dos principais fatores de desestímulo a investidores e profissionais que atuam dentro das regras de transparência e de mercado para atuar no País. Segundo os participantes, a fragilidade institucional favorece grupos com maior capacidade de influência sobre órgãos reguladores, Legislativo, Executivo e Judiciário, dificultando a entrada de novos investidores, especialmente no setor de infraestrutura. Leia tambémGiannetti e Pessôa: Equacionar questão fiscal será fundamental para reduzir tensão entre os PoderesCenário preocupa e Brasil tem desaceleração contratada em 2027, dizem Marcos Lisboa e Solange SrourPUBLICIDADE“Nas disputas por concessões em infraestrutura, não tem investidor novo. Só atua a pessoa que já sabe como lidar com agência reguladora, com legisladores e o Congresso Nacional”, diz Landau.Segundo os economistas, o problema não é recente e vem se acumulando há décadas. A percepção é de que a deterioração institucional se tornou mais visível, enquanto o País se aproxima de uma situação de esgotamento econômico, com crescimento cada vez menor e menos instrumentos para impulsionar a atividade. Economistas Elena Landau e José Roberto Mendonça de Barros durante debate sobre eficiência e governança Foto: Daniel Teixeira/Estadão“O Brasil só muda quando põe o pé no abismo. É assim que historicamente acontece no País, porque ele sempre se acomoda e evita mudar. A escravatura, por exemplo, só foi revogada quando já não fazia mais sentido econômico”, diz Mendonça de Barros. “Estamos escorregando lentamente para o abismo. Crescemos dois anos atrás mais do que no ano passado; este ano vai crescer menos e o ano que vem vai ser menos ainda. As grandes empresas entrando em recuperação judicial chamam atenção.”Para o economista, o País não tem mais coelhos para tirar da cartola. Na primeira década do milênio, “a China nos puxou pelo cabelo”. Depois, o setor agropecuário elevou a economia. Nos últimos anos, houve um aumento forte da carga tributária.Publicidade“A sociedade não aceita mais inflação. E o debate público agora fala que não tem escape, a não ser fazer algum ajuste fiscal”, defende Mendonça de Barros. “O abismo pode nos empurrar para alguma coisa que nos levará a um lugar melhor. Há um problema grave de governança, e estamos nos aproximando da situação de abismo, ajudada por cenário internacional, de rearranjo geopolítico e de inteligência artificial.”O capital estrangeiro pode ter papel decisivo nesse processo de trazer recursos para reavivar os investimentos no País, em especial porque o Brasil tem ativos capazes de despertar interesse internacional, como recursos naturais, terras raras e segurança geopolítica. A questão, porém, é saber até que ponto o retorno potencial compensa os riscos institucionais e econômicos, destaca Landau.Vale ler tambémA inteligência artificial começa a redesenhar o combate ao câncerA inteligência artificial seria a solução ou a dissolução?Caixa já investiu R$ 2,6 bi em tecnologia em 2026