Muito se fala sobre justiça social no Brasil, mas ainda são poucas as empresas que tratam o tema como uma responsabilidade estrutural do negócio. O Brasil segue carregando uma desigualdade que define trajetórias.

Segundo a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) do IBGE, a renda dos 10% mais ricos chegou a ser quase 14 vezes maior que a dos 40% mais pobres em 2024. Incorporar a justiça social no centro das decisões corporativas exige mais do que investimento, exige mudança de lógica.

Historicamente, o setor privado se acostumou a pensar soluções "de cima para baixo", desenhadas dentro de escritórios e distantes das realidades que pretendem transformar. Esse modelo, além de limitado, tem se mostrado insuficiente diante da complexidade dos desafios sociais.

Um dos principais aprendizados que tive nesses anos de atuação é que não há transformação real sem escuta. E não qualquer escuta, mas uma escuta que reposiciona quem vive a realidade no centro do processo.

Isso implica reconhecer que soluções eficazes não nascem apenas da capacidade técnica das empresas, mas do diálogo com quem enfrenta, diariamente, as barreiras que queremos ajudar a superar.