Os novos dados da PNAD Contínua sobre rendimento de todas as fontes mostram que a renda média da população brasileira voltou a crescer e mais pessoas passaram a ter algum tipo de rendimento. Esse movimento está associado à recuperação do mercado de trabalho, à valorização do salário mínimo e à retomada de políticas sociais nos últimos anos.

Ao mesmo tempo, os números confirmam que a concentração de renda segue sendo uma característica estrutural do País. A renda dos mais pobres cresceu, mas em ritmo muito menor do que a dos mais ricos. Entre os 10% de maior renda, os ganhos aumentaram cerca de 8,7%. Já entre os segmentos mais pobres, o crescimento foi de pouco mais de 3%. A distância entre o topo e a base da pirâmide continua enorme: os 10% mais ricos recebem, em média, quase 14 vezes mais do que os 40% mais pobres.

Esse padrão não é uma novidade. No Brasil, quando a economia melhora, a renda tende a subir para todos, mas sobe muito mais rápido para quem já está no topo da distribuição. Parte importante dessa dinâmica está ligada à forma como o sistema tributário brasileiro foi construído. O País tributa fortemente o consumo e os salários, enquanto grandes rendas, lucros e patrimônios recebem tratamento muito mais favorável. Isso significa que trabalhadores e trabalhadoras acabam pagando proporcionalmente mais impostos do que quem concentra riqueza.