Em "Os Custos das Desigualdades: Uma Carta às Elites Econômicas", os economistas Michael França e Daniel Duque propõem um diálogo com o topo da pirâmide a partir de uma pergunta central: por que sociedades muito desiguais tendem a oferecer menos para todos?
O argumento é que países profundamente desiguais crescem menos, desperdiçam talentos, convivem com mais instabilidade e pagam, ao longo do tempo, um custo que nem sempre é percebido de imediato.
Segundo os autores, essa conta aparece de formas concretas no Brasil: um mercado consumidor mais restrito, famílias e empresas obrigadas a gastar cada vez mais com segurança, produtividade estagnada e crises políticas recorrentes, que corroem a previsibilidade necessária para planejamento de longo prazo.
Para França, que é coordenador no Insper e colunista da Folha, há uma abertura para dialogar com a elite a respeito da desigualdade, ainda que de forma fragmentada.
"Há setores da elite econômica brasileira que já perceberam que a desigualdade extrema não afeta apenas quem está na base. Ela reduz produtividade, limita a formação de capital humano, aumenta a violência, enfraquece a confiança entre as pessoas e torna o próprio ambiente de negócios menos favorável".









