O terrorismo invadiu o noticiário econômico, o que não é novidade em época de eleição presidencial. Porta-vozes do dito “mercado” têm pregado que a dívida pública sobe em ritmo preocupante e exigem do governo medidas impopulares, como corte de gastos. Contra o aumento da vergonhosa concentração de renda nacional, aí o silêncio impera.

A apropriação das riquezas pelo 1% mais endinheirado subiu de 2024 para 2025, apesar de no período ter havido melhora no mercado de trabalho e em alguns indicadores sociais. Há dois anos, a renda total desse grupo era 30,2 vezes superior àquela da metade mais pobre do País. Um ano depois, pulou para 31,5. Nordeste e Sul escaparam da piora, únicas regiões a nadar contra a maré.

Os dados fazem parte do novo relatório anual do Observatório Brasileiro das Desigualdades, divulgado nesta quarta-feira 12. São duas as explicações para o agravamento da má repartição das riquezas: juros e salário mínimo. É o que diz Adriana Marcolino, diretora do Dieese, entidade que preparou o documento para o Observatório.

Ao longo de 2025, a taxa básica de juros do Banco Central saltou de 12,25% ao ano para 15%, sob a justificativa de controlar a inflação. Os rentistas que aplicam dinheiro no mercado financeiro, como brasileiros de alta renda, ficaram mais ricos com a elevação da taxa Selic.