Em 2022, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, o governo Bolsonaro criou o crédito consignado para beneficiários do Auxílio Brasil, programa que havia substituído o Bolsa Família. Em poucos dias, a Caixa liberou cerca de R$ 8 bilhões em empréstimos, concentrados entre o primeiro e o segundo turno. Encerrada a eleição, as concessões foram interrompidas. A iniciativa era uma péssima ideia porque utilizava um programa de transferência de renda como garantia para empréstimos destinados a uma população vulnerável, por meio de um produto de crédito inadequado às suas necessidades.
Essas medidas ocorreram em um contexto de expansão da oferta de crédito digital por bancos digitais, fintechs e plataformas de e-commerce, que chegam a milhões de consumidores de baixa renda, muitos deles incorporados ao sistema financeiro após o lançamento do Pix. A oferta agressiva de crédito, sobretudo por meio de cartões, teve um resultado previsível: maior comprometimento da renda e aumento do superendividamento das famílias.
Endividamento das famílias segue em alta no país - Gabriel Cabral/Folhapress
O novo governo não enfrentou as causas estruturais dessa bomba-relógio do superendividamento. Preferiu apostar em políticas de alívio financeiro de curto prazo, lançando o Desenrola Brasil, em 2023. Concebidos para situações extraordinárias, programas de alívio financeiro são utilizados em diversos países após choques econômicos, como a crise do subprime, ou crises sanitárias, como a pandemia de Covid-19.








