A mais nova etapa do programa Desenrola, voltada agora a devedores adimplentes, reafirma o padrão de estímulos ao crédito abraçado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a poucos meses da disputa presidencial de outubro.

Lançada na segunda-feira (29), a medida permite que trabalhadores informais em dia com o pagamento de empréstimos de até R$ 15 mil por instituição financeira refinanciem a dívida com juros limitados a 1,99% ao mês.

O programa pode beneficiar entre 200 mil e 500 mil pessoas, segundo estimativas oficiais. A adesão, porém, tende a ser limitada. Apenas os estatais Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil sinalizaram participação imediata. Os bancos privados resistem em renegociar com clientes que estão em dia com os contratos.

As fases anteriores do Desenrola Brasil, voltadas aos inadimplentes, produziram alívio apenas temporário. Entre 2023 e 2024, cerca de 15 milhões de pessoas renegociaram mais de R$ 53 bilhões em dívidas, obtendo descontos expressivos.

Contudo o número de brasileiros com nome sujo voltou a crescer com força após o encerramento das principais etapas: de cerca de 72 milhões em 2024 para recordes históricos acima de 81 milhões em 2026. Ou seja, o programa não alterou a trajetória estrutural de alta da inadimplência.