Já faz algum tempo que o economista Gabriel Zucman, professor da Escola de Economia de Paris e da Universidade da Califórnia em Berkeley, resolveu chamar uma turma de peso para a briga: os bilionários. Todos eles.
Ao lançar agora um livro que dá continuidade a esse embate, Zucman argumenta que a briga é não apenas justa mas necessária. Se não os enfrentarmos agora, afirma o economista, contendo o acúmulo de riqueza e a concentração de poder nas mãos dos indivíduos mais ricos do planeta, as ameaças à democracia serão cada vez maiores.
O título da obra, que acaba de ser publicada no Brasil, tem a petulância de um gaulês ao desafiar generais romanos: "Os Bilionários Não Pagam Imposto de Renda e Nós Vamos Acabar com Isso". Será?
Zucman tem a matemática do seu lado. Tanto na França, país analisado mais detidamente no livro, quanto no Brasil, que foi objeto de estudos recentes feitos pelo economista francês e coautores, os mais ricos entre os ricos (0,01% da população adulta, cerca de 15 mil pessoas no caso brasileiro) pagam uma carga tributária efetiva que é metade do que paga em média o conjunto da população.
Na França, os cidadãos pagam em média 51% da sua renda em impostos (somando todo tipo de tributo). Os muito ricos, contudo, entregam apenas 25% da renda anual ao governo. No caso brasileiro, a alíquota efetiva média é de 42,5%, segundo os cálculos de Zucman, mas os multimilionários e os bilionários devolvem aos cofres públicos não mais do que 20% da renda, a cada ano.







