Advogados devem afirmar ao STF que decisão de usar gravação partiu da campanha do senador e do PL 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Versão IA de Jair Bolsonaro é destaque em convenção do PL que oficializou candidatura de Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro vai informar ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ele não tinha conhecimento prévio do vídeo produzido com inteligência artificial exibido durante a convenção nacional do PL que oficializou a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A informação foi confirmada ao GLOBO por interlocutores da equipe jurídica, que irá se manifestar dentro do prazo de 48 horas fixado pelo ministro. Os advogados sustentarão que Bolsonaro não participou da decisão de utilizar sua imagem e sua voz na gravação e que a iniciativa partiu exclusivamente da campanha de Flávio e do Partido Liberal. A resposta atende à determinação de Moraes, que quer saber se o ex-presidente autorizou o uso de sua imagem no material exibido durante a convenção. Na decisão, o ministro apontou dois cenários possíveis. Caso Bolsonaro tenha autorizado o vídeo, a conduta poderá caracterizar novo descumprimento das medidas cautelares impostas para a manutenção de sua prisão domiciliar humanitária, já que ele está proibido de realizar manifestações político-eleitorais, inclusive por intermédio de terceiros. Se, por outro lado, não houve consentimento, Moraes afirma que caberá apurar eventual responsabilidade da campanha de Flávio Bolsonaro e do Partido Liberal pelo uso de conteúdo sintético sem autorização, hipótese vedada pela legislação eleitoral. O vídeo foi exibido no sábado, durante a convenção nacional do PL que oficializou a candidatura presidencial de Flávio. Na gravação, uma versão digital de Bolsonaro afirma que está “preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária”, declara apoio ao filho e pede aos convencionais que o recebam “de braços abertos”. A exibição emocionou Flávio e foi um dos momentos centrais do evento, que também contou com a participação do presidente da Argentina, Javier Milei. A linha de defesa apresentada por Bolsonaro acompanha a estratégia já adotada pela campanha de Flávio perante a Justiça Eleitoral. Como mostrou o GLOBO, os advogados do senador informaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o ex-presidente não foi comunicado previamente sobre a exibição do vídeo e defenderam que toda a concepção da peça ficou sob responsabilidade da campanha. Na manifestação enviada ao TSE, a defesa também sustentou que o vídeo foi exibido em um ambiente exclusivamente intrapartidário, sem pedido explícito de voto, e que cumpriu as regras da Justiça Eleitoral por informar, logo no início da gravação, que a imagem e a voz de Bolsonaro haviam sido produzidas por inteligência artificial. Flávio na mira Reservadamente, aliados de Flávio admitem preocupação com os desdobramentos da estratégia. A avaliação é que a tese jurídica necessária para afastar Bolsonaro de uma possível acusação de descumprimento das cautelares acaba fortalecendo justamente a outra hipótese descrita por Moraes: a de que a responsabilização recaia sobre a campanha presidencial e o PL. Na prática, a leitura é que a defesa do ex-presidente reduz o risco para Bolsonaro, mas deixa Flávio mais exposto ao debate sobre eventual uso irregular da inteligência artificial na convenção.