"A morte quando chega devagar impõe a resignação", disse Drauzio Varella, colunista da Folha, na mesa que dividiu com a escritora alemã Carmen Stephan nesta sexta-feira (24), na Flip.
O médico diz ter se sentido como os pacientes que vivem com HIV que acompanhou na prisão. "O olhar não era de desespero, era resignado. Era aceitação", disse. "Eu tinha 61 anos e fiz um balanço: dei conta. Consegui ter uma vida legal."
Drauzio e Stephan falaram sobre suas experiências de quase morte —no caso dele, em razão da febre amarela; no dela, da malária. O enfrentamento da finitude rendeu os dois livros que foram o centro da conversa: "O Médico Doente", do médico, lançado em 2007, e "Malária, um Romance", da alemã.
Stephan disse que teve muito medo, algo difícil de entender. "Queria mais esquecer a história. Anos mais tarde, senti necessidade de escrever, confrontar a experiência."
Já Drauzio contou que, após se recuperar completamente da doença, fez uma viagem para o alto Rio Negro, na fronteira com a Venezuela, e, tomando uma cerveja com amigos, recebeu a sugestão de escrever sobre o tema. "Não me interessei."






