Conheci dona Cândida muitos anos atrás. Era a matriarca de uma família com oito filhos. O marido, coronel nordestino à moda antiga, acostumado a dar ordens ríspidas aos empregados da fazenda, ficava na miúda nas querelas com a mulher.
A dedicação da mãe aos filhos era a razão de seu viver. Ai de quem os tratasse mal. Chegou a ir às vias de fato com uma professora que ousou dar uma reguada na mão do mais velho. Quando todos cresceram, ela não ia para a cama nem deixava os empregados jantar enquanto o último não voltasse para casa.
Embora jurasse amar todos com a mesma intensidade, seu xodó por Franscisquinho, um dos mais novos, era indisfarçável. Quando ele entrou na faculdade de medicina, na capital, então, a dona Cândida não coube em si de tanto orgulho. Para provocá-la, uma das filhas dizia que se o irmão se afogasse no açude, a mãe gritaria: "Socorro! Meu filho que é quase médico está se afogando".
Quando o rapaz cursava o quarto ano, a mãe recebeu um telefonema da faculdade. Em uma briga de trânsito, Francisquinho foi baleado.
O comércio da cidadezinha encerrou as portas para que todos acompanhassem o féretro. Eram tantas as flores que foi preciso uma caminhonete para acomodá-las.








