Meu marido vendeu a casa antiga dele em Nashville, juntamos nossos trapinhos e compramos uma na frente da praia numa cidadezinha no estado do Rio de Janeiro, a um quarteirão da casa dos meus pais. É o meu "lugar de escrita", onde agora tenho a sorte de passar quase metade do ano, perto da minha família.
Logo no seu primeiro mês de proprietário de uma casa de frente para o mar, ele ficou assustado com a quantidade de manutenção constante que a casa exige e temeu ter comprado um limão azedo em vez de laranja. Apesar de ter crescido em San Diego, na Califórnia, ele nunca tinha vivenciado o estrago que maresia e vento diretos fazem. Mas eu cresci passando os verões de frente para esta praia e pude acalmá-lo: as casas aqui são feitas de tijolo e cimento, não de papel e cuspe como nos EUA –digo, de ripinhas e folhas de gesso– e aguentam o tranco.
O que não aguenta é tudo e qualquer coisa que contenha ferro, como grades e ferragens. Íons de ferro na sua forma Fe+2 são altamente reativos com oxigênio, trazido na água salgada e no ar que grudam nas grades. O resultado é, de um lado, ferro oxidado, na forma Fe+3, visível como ferrugem, perfeitamente inerte e inofensiva. O problema é que, de outro, a oxidação do ferro pode gerar aqueles radicais livres de oxigênio que saem destruindo tudo. Isso acontece dentro das células, inclusive neurônios, e contribui para o envelhecimento.














